terça-feira, 26 de junho de 2018

Ao declarar apoio a Anastasia em Minas, PTB apaga Alckmin e defende Aécio

Anastasia

Parlamentares do partido declararam apoio ao tucano na eleição ao governo estadual e lembraram as gestões tucanas no governo de Minas


Ao receber o apoio formal do PTB, o pré-candidato do PSDB ao governo de Minas, senador Antonio Anastasia, afirmou que sua campanha está acoplada à de Geraldo Alckmin, embora o nome do presidenciável tucano não tenha sido lembrado pelos aliados petebistas em evento nesta terça (26), em Belo Horizonte.

Questionado pela reportagem, o presidente estadual do PTB em Minas, deputado estadual Dilzon Melo, afirmou que o partido deve apoiar também Alckmin. Em seu discurso às lideranças do PTB e aos apoiadores de Anastasia, porém, não falou do ex-governador paulista.
Melo destacava que os materiais de campanha do PTB serão impressos não só com o nome do candidato a deputado, por exemplo, mas com a chapa completa: Anastasia para governador, seu vice Marcos Montes (PSD), e os candidatos ao Senado. Ao falar do presidenciável, não citou nomes. 
"E logicamente vai sair com a chapa também de presidente da República, que ainda está muito tumultuado, nós não sabemos como que vai ficar. O centrão tem que eliminar um bocado de candidatos lá para não se prejudicar, mas vamos sair com a chapa completa", disse.
Com 7% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, Alckmin tem o pior desempenho do PSDB em quase 30 anos. 
Em encontro com Anastasia no sábado passado (23), policiais e bombeiros militares também deixaram Alckmin de lado para exaltar o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Houve gritos de "Anastasia e Bolsonaro".

O deputado estadual Sargento Rodrigues (PTB), que organizou o encontro com os militares e também esteve presente nesta terça em evento do seu partido, disse haver uma tendência natural das forças de segurança em apoiar Bolsonaro.
"É quase impossível impedir isso." 
À reportagem, o deputado afirmou não ter candidato a presidente. "Ainda não tenho, as águas estão muito nebulosas. Eu entendo que o cenário ainda terá mudanças e estamos aguardando essas mudanças." 
Anastasia também minimizou a dobradinha formada com Bolsonaro em vez de Alckmin.
"Ninguém pode constranger os votos dos eleitores", disse. 
"Temos feito um grande esforço em Minas Gerais também para a candidatura de Geraldo Alckmin. [...] Todo o meu esforço, toda a minha campanha será acoplada à campanha presidencial do Geraldo", completou o senador. 
Se Alckmin ficou apagado, o nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi mencionado e defendido em discursos de petebistas que lembraram feitos das gestões tucanas no estado. 
Réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção e obstrução de Justiça, Aécio não tem aparecido nos eventos de campanha de Alckmin ou de Anastasia, que tentam se descolar do senador.
Anastasia voltou a afirmar que Aécio ainda decidirá, em conjunto com a direção do PSDB, se será candidato e a qual cargo.
No evento, uma das duas vagas de candidato ao Senado na chapa de Anastasia foi dada como certa para Dinis Pinheiro (SD). O Solidariedade anuncia nesta semana o apoio formal ao tucano. 
Além de PTB e SD, Anastasia já formou aliança com PSD, PSC, e PPS. Seu principal adversário, o governador Fernando Pimentel (PT), se aproximou do PC do B, mas só tem garantidos os apoios de siglas pequenas como o PMN e PSDC. Márcio Lacerda (PSB) tem o apoio do PDT e do Pros. 
"Os outros pré-candidatos estão um pouco para trás, eu respeito todos, mas há de fato uma consolidação firme, política, ao nosso lado. Nós estamos um pouco mais avançados nesse ponto, mas isso também não pode nos fazer deitar em tranquilidade, ao contrário, nos obriga a trabalhar ainda mais", disse Anastasia.