sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Telhado de escola era usado para guardar armas e drogas na Pedreira

ARMAS ESCOLA

Policiais acharam 1 kg de cocaína, 18 kg de maconha e até uma submetralhadora escondida no local onde crianças estudam
A escola é um local de aprendizado, onde objetos comuns de se encontrar são lápis, canetas e, no máximo, bolas de futebol. Entretanto, em uma instituição localizada no aglomerado Pedreira Prado Lopes, no bairro São Cristóvão, região Noroeste de Belo Horizonte, a Polícia Militar (PM) encontrou muito mais do que isso. Na madrugada desta sexta-feira (26), uma denúncia levou a corporação até um esconderijo no telhado da Escola Maria da Glória Lommez, antiga Escola Municipal Doutor José Diogo de Magalhães, onde estavam drogas e armas.
Conforme a Polícia Militar (PM), militares do Tático Móvel do 34º Batalhão faziam uma operação contra a disputa pelo comando do tráfico de drogas na região quando receberam a denúncia de um morador do aglomerado.
Os policiais foram até a escola, localizada na rua Carmo do Rio Claro, e após buscas no telhado, acabaram localizando uma grande quantidade drogas, armas de fogo e diversas munições, a maior parte delas de uso restrito das forças armadas.
Além de uma submetralhadora da marca Glock, calibre 9 mm, também foi encontrado um kit de adaptador (para transformar pistolas em submetralhadora) e vários carregadores alongados (com uma maior capacidade para munição da arma).
FOTO: PMMG / DIVULGAÇÃO
armas escola
Submetralhadora estava escondida no telhado da escola
Além disso, também foi apreendido 1 kg de cocaína, 18 kg de maconha, uma luneta para fuzil, 69 munições de .380, 51 de calibre .40, outras 56 munições de 7 mm, 41 de 7.63 e 191 munições de 9 mm.
A direção da escola disse ter sido apanhada de surpresa e que nunca percebeu qualquer movimentação estranha no telhado ou em outras dependências do prédio. A unidade oferece educação infantil, em horário integral, para 250 crianças, com idades entre zero e 5 anos.

TIROS

Após a apreensão, quando os policiais já deixavam o local com os materiais encontrados, vários homens saíram de um beco próximo e começaram a atirar na direção da viatura. Os militares revidaram e houve troca de tiros. Os homens conseguiram fugir e ninguém foi preso ou aparentemente baleado.
Os PMs não conseguiram identificar os autores. Todo o material apreendido foi levado para a Central de Flagrantes (Ceflan) 4 da Polícia Civil (PC), no bairro Alípio de Melo.

MEDO

Pais e outros parentes de alunos estão preocupados com a segurança das crianças. Uma mulher de 42 anos tem uma neta de 6 anos estudando na escola e e ficou surpresa com a ousadia dos traficantes.
“Qualquer mãe, qualquer vó, qualquer pessoa fica preocupada. É muito difícil. A gente quer educação para nossos filhos e netos e acontece uma coisa dessa”, reagiu a mulher. “A gente quer uma escola que ofereça segurança e que não traga preocupação para a gente. Mas, nessa situação, fica difícil. Aí, a gente fica desesperada”, disse a avó. “Do jeito que o mundo está hoje, o único lugar seguro para uma criança é a escola. Tem que ser, né? Na casa da gente, não temos mais muita segurança. E as crianças precisam de escola, precisam de segurança”, reagiu a avó.
Uma outra moradora tem um sobrinho que também estuda na escola e também está com medo. “A gente fica assustada. É a segurança dos nossos filhos e dos nossos sobrinhos que está em risco. A gente acha que nossos filhos têm segurança na escola e não têm”, lamentou a mulher.


SEGURANÇA

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) divulgou nota informando que a Escola Maria da Glória Lommez está fechada desde dezembro e as atividades letivas serão retomadas em fevereiro.
“Tão logo soube do ocorrido na manhã desta sexta-feira (26), a diretora da escola foi para a unidade escolar e se colocou à disposição dos policiais, que retornaram para verificação dos fatos”, diz a nota. A escola conta com um porteiro durante todo o dia e um vigia no período da noite. Além disso, segundo a PBH, duplas de agentes da Guarda Municipal realizam rondas preventivas na região da unidade escolar. “A direção vai acompanhar a apuração dos fatos”, concluiu a nota.
Atualizada às 12h47