sexta-feira, 14 de julho de 2017

Veja dicas do Corpo de Bombeiros para não se perder em matas, trilhas ou cachoeiras


Sumiço de professor com experiência militar, que só foi encontrado após cinco dias de buscas na Serra do Caparaó, chama a atenção para o problema
Foram cinco dias perdido no Parque Nacional do Caparaó, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, até ser resgatado, na tarde de ontem, por bombeiros capixabas no lado da serra pertencente ao estado vizinho. O professor Antônio Teodoro Dutra Júnior, de 43 anos, foi encontrado em bom estado de saúde e, para sobreviver ao contratempo, certamente contou com a experiência dos nove anos passados na Força Aérea Brasileira, na qual serviu em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de BH. 

Mas nem todos têm esses recursos. Em apenas cinco meses deste ano, outras 181 pessoas, muitas não tão experientes, desapareceram enquanto faziam trilhas e caminhadas em regiões de montanhas, parques e cachoeiras em Minas Gerais. O número, divulgado ontem pelo Corpo de Bombeiros e relativo ao período de janeiro a maio, supera o do mesmo intervalo de 2016.

O número de perdidos em áreas de mata do estado aumentou em 55, ou mais de 43%, em relação ao período de janeiro a maio do ano passado, quando foram 126 os desaparecidos. O chefe da assessoria de imprensa dos Bombeiros, tenente Pedro Aihara, informa que o principal fator para o desaparecimento em matas é a falta de planejamento e conhecimento do local. “É preciso conhecer e planejar. Quantas pessoas vão, o percurso que será feito, se a trilha é adequada para os integrantes do grupo, se a programação do horário de saída é condizente com o horário de retorno, além de informações sobre as características do local”, diz.

Para quem se aventura pela primeira vez, o indicado é contratar serviço especializado, com uma pessoa por conta do grupo em caso de excursão. “Se há pessoas em condições físicas diferentes, é interessante estabelecer sublíderes, para dar atenção a essas pessoas, que às vezes se distraem observando uma paisagem ou um animal e ficam para trás.”

O tenente ressalta ainda que mesmo os mais experientes não podem deixar de adotar medidas de segurança, como portar equipamentos de localização (GPS ou telefone celular) e avisar na recepção de parques os horários de entrada e saída, para que seja possível perceber casos de desaparecimento. “As pessoas deixam de observar quesitos de segurança, por achar que conhecem demais. O excesso de confiança faz com que não se observem fatores que geram grande possibilidade de tragédia”, afirma.

Pedro Aihara afirma que cada tipo de ambiente tem características diferentes, que favorecem desaparecimentos e dificultam resgates. O Pico da Bandeira, por exemplo, tem condições climáticas desfavoráveis, com temperaturas baixas e visibilidade ruim, que gera cerração. Já a Serra do Cipó tem relevo acidentado que impõe dificuldades às equipes em terra. Quando o local envolve áreas de cachoeiras, outro fator complicador é o acesso das aeronaves.

Sair de trilhas oficiais predefinidas em unidades de conservação é outro grande problema. “Planejamento e atenção são importantes, pois quando há uma ocorrência assim, deslocamos um efetivo grande para as buscas e desguarnecemos outras situações. Pode-se fazer trilha, desde que com responsabilidade e segurança”, alerta o bombeiro.

Em um estado repleto de montanhas e cachoeiras, todas as regiões escondem armadilhas. Entre as áreas que mais colecionam desaparecidos estão as serras do Curral (em BH e região metropolitana) e do Cipó (na Região Central do estado), além do Pico da Bandeira, no Parque do Caparaó, onde o professor Antônio Teodoro Dutra Júnior passou cinco dias sumido. Segundo o tenente Aihara, pesa o fato de essas áreas estarem próximas a centros urbanos e, por isso, atrairem turistas.

‘NA RAÇA’ No caso mais recente, Antônio Dutra Júnior, também conhecido por “Rosca”, sumiu no sábado, quando escalava a Serra do Caparaó em companhia de um amigo. Estava com um grupo de 38 pessoas de uma excursão da Igreja Presbiteriana. Durante o trajeto, o professor se distanciou e não foi mais visto. No início da tarde de ontem ele foi encontrado sem qualquer ferimento aparente.

De acordo com os bombeiros, um amigo do professor contou que pequenos grupos de caminhantes haviam parado para descansar e comentaram sobre a dificuldade da trilha, por causa do frio, do barro e do cansaço. Somente três das 38 pessoas que faziam o trajeto conseguiram chegar ao  Pico da Bandeira. As buscas por Antônio, que nasceu em Manhuaçu, na Zona da Mata, e mora em Ouro Preto, na Região Central, começaram no domingo, com bombeiros do Espírito Santo e Minas, além de funcionários do parque. Cães farejadores e helicóptero foram usados, mas não foram encontradas pistas do professor, que estava agasalhado e com suprimentos. As temperaturas na região chegaram a ficar abaixo de zero durante os dias em que ele passou desaparecido.

“Foi na raça.” Foi com essa frase que o professor resumiu para o irmão Aldrin Teodoro Dutra os cinco dias que ficou perdido. De acordo com ele, Antônio está bem e passa por exames médicos. “Já me encontrei com ele. Está bem, graças a Deus. Passou por procedimentos médicos sem nenhum problema. O médico pediu um raio-x do pé, porque estava inchado, provavelmente por causa de uma torção. Mas só isso mesmo e um soro para hidratar”, afirmou Aldrin. 
SOBREVIVÊNCIA A determinação de seguir um curso d’água foi o que salvou a vida do professor Antônio Dutra Júnior, depois de cinco dias perdido. Ao falar ao portal “Folha Vitória” ainda enquanto recebia atendimento médico no Espírito Santo, ele disse que não ouviu o barulho dos helicópteros dos bombeiros do Espírito Santo e de Minas Gerais, nem dos cães farejadores, devido ao som das cachoeiras. O professor acrescentou que se manteve calmo. “Pensei: este rio vai me levar a uma queda de 200 metros ou a um pocinho com uma família brincando”, recordou.

Mas, apesar de a aventura ter acabado bem, ele deixa claro que não voltará a correr risco em caminhadas como a que fez ao Pico da Bandeira. “Se for ver o Sol nascer, acorda às 5h30, faz um sanduíche e vai ver o Sol nascer na praia”, aconselhou, em relação ao costume de subir o pico mais alto da Serra do Caparaó para assistir ao amanhecer.

Fique vivo

Confira as dicas dos Bombeiros para aventuras em áreas de mata

Prepare-se para a caminhada
»  Mantenha-se na trilha oficial predefinida em unidades de conservação
»  Ao entrar na unidade, comunique à administração a chegada e a previsão de saída, bem como o percurso pretendido
»  Caso tenha radiocomunicadores, deixe um na recepção do parque e combine um horário para fazer a comunicação diária com a torre
»  Leve um GPS, que pega em quase todos os lugares, desde que esteja em campo aberto. É importante para ver coordenadas geográficas e se orientar
»  Mesmo que seja uma trilha tranquila, leve um kit básico de primeiros-socorros
»  Leve alimentos leves e secos para se sustentar por mais tempo em caso de necessidade
»  Tenha um sinalizador no kit de sobrevivência
»  Leve isqueiro e um pouco de combustível, caso precise de fogueira

Estou perdido. E agora?
»  Se ficar perdido, permaneça no local e evite andar sozinho, pois as buscas têm como referência o último local em que o desaparecido foi visto. De preferência, fique em local aberto para ser localizado mais facilmente pelas equipes de resgate ou ser visto pela equipe aérea
»  Busque um local para se abrigar de chuva, frio e se proteger do ataque de animais. Ao se movimentar, faça marcações no chão, deixando objetos pessoais para ser identificado, ou use galhos e pedras para deixar mensagens.
»  Antes de ter fome ou sede, oriente-se sobre onde e como conseguir alimentos (fazer uma armadilha para pegar um animal, por exemplo) e água (onde haja um córrego mais próximo).
»  Tente fazer uma fogueira antes de o frio chegar

Dez pessoas são presas em operação contra o tráfico no Cabana

Além dos detidos, PM apreendeu quase R$ 100 mil em espécie