segunda-feira, 3 de julho de 2017

Protesto de camelôs tem confronto com a polícia, e lojas baixam portas

protesto camelôs

Um grupo de ambulantes fechou o trânsito nos dois sentidos tanto na avenida Afonso Pena como na Amazonas; houve princípio de confusão e a PM usou spray de pimenta
Após a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) dar início a uma operação contra a permanência de camelôs na região Central da cidade, na manhã desta segunda-feira (3), um grupo de ambulantes iniciou uma manifestação na praça Sete, fechando o trânsito nos dois sentidos tanto na avenida Afonso Pena como na Amazonas. Houve confronto com a polícia e manifestantes ficaram feridos. Lojas estão baixando as portas para evitar depredação. 
Os manifestantes atearam fogo em caixotes e placas de trânsito no fim da manhã. Em certo momento, alguns deles chegaram a quebrar o retrovisor de um ônibus e a Polícia Militar utilizou spray de pimenta para dispersar o grupo. No início desta tarde o grupo aceitou liberar o trânsito após a promessa de uma reunião com a Prefeitura às 13h30. 
Eles foram então para o quarteirão da rua Carijós com São Paulo, mas o clima de paz durou pouco tempo. Um dos manifestantes foi alvo de buscas por parte da tropa de Choque, que negociava a liberação da via, e os camelôs se revoltaram e partiram para cima dos militares, que reagiram com bombas de gás e balas de borracha. 
Uma vendedora ambulante identificada Rosângela Maria, de 58 anos, acabou atingida por um dos disparos e ficou ferida. A ação revoltou os camelôs que, então, quebraram a viatura da tropa de Choque. Ainda não há informações se alguém foi preso no local. Por volta das 13h a praça Sete voltou a ser fechada pelos manifestantes, que tentam chegar à prefeitura, mas são impedidos pela barreira formada por militares da Tropa de Choque.
O trânsito na região continua bastante complicado e o clima é de tensão, sendo que diversos motoristas inclusive chegaram a pegar a contra-mão para sair do local. Os manifestantes afirmam que o prefeito Alexandre Kalil não cumpriu sua promessa. 
Entenda
A operação para a retirada de vendedores ambulantes da região Central teve início às 6h desta segunda e contou com cerca de 400 agentes, entre fiscais, guardas municipais, funcionários da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) e da BHTrans. 
Segundo um camelô de 40 anos, que se identificou apenas como Cláudio e que atua há 25 anos vendendo doces na região, ele trabalha desde os 15 anos, quando existia uma licença para a profissão. "Tiraram os camelôs e nos mandaram para as lojas, mas não conseguimos pagar condomínio e aluguel e voltei para a rua. Cheguei 8h, mas não vendi nada, pois não vim para brigar com guarda. Eles fizeram propostas, mas não é para hoje. Não dá para esperar, tenho quatro filhos para criar, prestações e aluguel para pagar", reclamou.
A ambulante Sheila Cristina, de 25 anos, trabalha no centro de BH há mais de 10 anos. "Meu pai foi camelô. E aí a gente chega para trabalhar e descobre que não pode? Cheio de ladrão roubando e a gente que está trabalhando não poder é um absurdo. O kalil precisa resolver esse problema", protestou. 
Atualizada às 12h54

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