segunda-feira, 12 de junho de 2017

Cães da Rocca são destaque na PM


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O relógio marca 7h, e, no canil da Polícia Militar (PM), localizado na região Leste de Belo Horizonte, o dia começa agitado. No local estão os 55 cachorros das Rondas Ostensivas com Cães (Rocca), treinados diariamente para apoio em ocorrências policiais, sejam de encontro de drogas, explosivos ou de imobilização e capturas de pessoas em atitudes suspeitas. Na última quarta-feira, a Rocca completou 60 anos de existência no Estado.

Implantada em 1957 pelo, na época, tenente Cícero Magalhães, a ideia surgiu após trabalhos observados em São Paulo e Rio de Janeiro que utilizavam o cão como instrumento de combate à criminalidade.

O trabalho da equipe da Rocca começa a partir do acionamento pelo rádio de patrulhamento em apoio às outras unidades. “Quando a ação do policial fica limitada, os cães entram como fatores de suplementação na utilidade de faro, captura e imobilizações. Se não fosse o cão, o policial teria que usar o armamento letal”, explicou o sargento Roberto Pires, que está na corporação há 26 anos.

Atualmente, Minas tem 26 canis. No da capital, que atende também cidades da região metropolitana, trabalham 105 militares, que passam por treinamentos e se revezam nos trabalhos com os animais das raças pastor alemão, pastor belga malinois e pastor holandês. Cada cão fica em um alojamento, identificado pelo nome, faz duas alimentações por dia e costuma treinar das 7h às 15h no campo e na quadra do quartel ou em matas próximas.

A “família U”, formada pela mãe Farah e os filhotes Urano, Urso, Uana e Urby, é a mais conhecida no quartel. O cão Urano, de 4 anos, é destaque da corporação em várias ocorrências de apreensão de entorpecentes.

‘Carreira’

“Em média, o cão fica na ativa até os 8 anos”, explicou o militar. Após essa idade, ele pode ir para a casa de um militar com quem tenha trabalhado, ser doado para alguma organização sem fins lucrativos ou pessoas da comunidade que demonstrem interesse.

Durante os 60 anos de existência, três cachorros morreram em operações policiais. “A gente fica triste quando isso acontece. O cão é um parceiro, aquele que protege, que vai à frente e nos livra de situações difíceis. É um grande companheiro”, explicou o sargento.
Bons resultados
A atuação dos cães traz bons resultados para as ocorrências, principalmente relacionadas a apreensões de drogas. De acordo com dados repassados pela corporação, entre janeiro e fevereiro deste ano, foram encontrados 8.972 buchas de maconhas, 6.263 pedras de crack e 5.390 pinos de cocaína. Além dos entorpecentes, nos dois primeiros meses foram localizados com a ajuda dos animais 110 munições e 50 explosivos. Oito prisões e duas capturas foram feitas.
Adestramento vira ‘diversão’
A hora do treinamento é de brincadeira para os cães. No caso dos animais destinados ao trabalho de faro de drogas, por exemplo, o odor é colocado dentro de bolinhas, fato que faz com que eles tentem encontrá-las para se divertir.

“Um dos nossos colegas gosta de usar a frase ‘deixa o cão ser cão’. Nosso objetivo é tornar a vida do cachorro agradável. Se eu quero um animal forte, jamais vou oprimi-lo. Nossa equipe preza pela qualidade de vida deles antes de qualquer coisa”, explicou o sargento Pires.

Para os militares da Rocca, a relação com os cães ultrapassa os muros do quartel. “Aqui tem que gostar de cachorros, e todos gostam. O adestramento é em conjunto. Eu, particularmente, tenho um carinho muito grande pela Uana. Quando ela aposentar, quero levá-la para minha casa. Nós formamos uma grande matilha”, finalizou o cabo Willekem da Silva.