segunda-feira, 17 de abril de 2017

Estudantes vão responder por tráfico de 'heroína caipira', achada na autópsia de Michael Jackson

Dupla chegou a ser presa comprando um analgésico com receita falsa conhecido nos Estados Unidos como 'heroína caipira', mas aguarda investigação em liberdade com tornozeleira eletrônicaA Polícia Civil informou que vai indiciar, provavelmente nos próximos dias, dois estudantes de medicina de uma faculdade particular de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por tráfico de drogas e uso de documento público falso. 

Os dois chegaram a ser presos, mas já estão livres, pela compra, com uma receita falsa, de caixas do medicamento Oxycontin, conhecido nos Estados Unidos como 'heroína caipira'. De acordo com a Polícia Civil, a autópsia do cantor Michael Jackson apontou a substância ativa desse remédio no corpo do astro pop, que morreu em 25 de junho de 2009.

Segundo a delegada Cristiana Angelini, responsável pelo inquérito, a Polícia Civil começou a investigar o caso ao receber denúncias de uma rede de farmácias de que a venda desse medicamento, normalmente rara, estava acontecendo com uma frequência maior. De janeiro a março, a rede relatou à polícia a venda de 19 caixas, das quais 12 para Fernando Henrique Moreira Silveira, de 28 anos, e Marcelo Botelho Reis, de 29.
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As investigações apontaram que, como o medicamento é um analgésico muito forte de uso restrito, normalmente comparado à morfina e indicado para casos de câncer, eles conseguiam comprar graças à clonagem do carimbo de um médico que foi professor dos dois na faculdade. Eles se revezavam em farmácias dessa mesma rede, especialmente no Bairro Buritis, Oeste de Belo Horizonte, comprando como se eles fossem os pacientes. Para pessoas que não têm os sintomas necessários para o uso do remédio, ele causa euforia.

Veja no vídeo abaixo o momento em que um dos dois chega no estacionamento de uma farmácia para comprar o medicamento e carimba a receita dentro do carro
A Polícia Civil conseguiu imagens que mostram, inclusive, um deles carimbando a receita no estacionamento da farmácia antes de entrar para comprar o medicamento. Na casa dos dois, foram apreendidas mais de 100 receitas em branco já com o carimbo do médico em questão, incluindo receitas de lugares onde os dois trabalharam como estagiários, como a Maternidade Octaviano Neves e o Hospital da Baleia.
A delegada Cristiana Angelini disse que as investigações ainda continuam para detalhar o destino dos medicamentos depois que eram comprados pelos dois, mas a quantidade incompatível com o uso clínico e o uso de documento falso já garante elementos para o indiciamento também pelo tráfico de drogas, já que o medicamento é considerado entorpecente.

“Nós ainda estamos levantando outras informações para poder concluir o inquérito e a princípio responderão por tráfico e uso de documento falso”, diz a delegada.

Em depoimento, os dois justificaram a compra por sentirem muitas dores. A Polícia Civil informou que há relatos de um farmacêutico de que eles chegavam para fazer a compra visivelmente alterados. 

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