segunda-feira, 24 de abril de 2017

Bandidos brasileiros roubam R$ 100 mi no maior assalto do Paraguai

roubo

Armados com fuzis automáticos e metralhadoras ponto 50, os criminosos bloquearam ruas, incendiaram veículos e dispararam rajadas contra prédios públicos
Cinquenta criminosos brasileiros e paraguaios assaltaram na madrugada desta segunda-feira com fuzis e explosivos uma empresa transportadora de valores no Paraguai, e levaram mais de R$ 100 milhões, depois de deixar um agente morto e muitos feridos, informou a Polícia.
O incidente, considerado "o assalto do século" pelas autoridades, ocorreu nas primeiras horas desta segunda-feira na transportadora de valores Prosegur de Ciudad del Este, a 350 km de Assunção, na tríplice fronteira com Brasil e Argentina.
Uma caminhonete com três civis a bordo foi atingida por vários tiros em meio aos ataques coordenados realizados pelos criminosos em vários lugares de Ciudad del Este.
Os meliantes começaram seu assalto logo depois da meia-noite e realizaram durante duas horas ações de distração mediante o incêndio de veículos e explosões nas imediações da delegacia de polícia, segundo os primeiros relatos.
Um agente destinado a uma força de elite da polícia morreu no ataque.
Os relatórios policiais identificaram membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), que opera a partir de São Paulo, entre os integrantes do grupo criminoso.
Vários veículos foram incendiados pelos assaltantes para bloquear os acessos à polícia e facilitar sua fuga. Os criminosos abandonaram cinco carros ao fugir.
O ataque com explosivos demoliu virtualmente o edifício da companhia de segurança e nas ruas adjacentes eram observadas cápsulas de projéteis de armas pesadas, além de restos de caminhões e de automóveis queimados, de acordo com cenas transmitidas pela televisão.
O som das explosões "ressoou na cidade como se fossem bombardeios de uma guerra" no período de duas horas, relatou à AFP Antonio del Puerto, uma testemunha.
Também foram registrados ataques simultâneos contra a sede da Chefia de Polícia e do Governo de Ciudad del Este, admitiram porta-vozes oficiais.
"Estamos como na Síria", disse a procuradora Denise Duarte, encarregada de investigar o crime. "Os ladrões estavam encapuzados e falavam português", ressaltou.
Cofre cheio
A procuradora Duarte afirmou à imprensa que o cofre da Prosegur "estava cheio" no momento em que foi saqueado completamente pelo grupo de criminosos.
A polícia estimou que o cofre tem capacidade para guardar 40 milhões de dólares, mas as autoridades indicaram que levarão dois dias para estabelecer o montante exato do roubo.
Entre os veículos abandonados pelos criminosos foram identificadas três caminhonetes blindadas, uma delas com uma metralhadora pesada antiaérea instalada em sua carroceria.
"Vivemos uma situação de guerra. Vimos caminhonetes de grande porte que circulavam em alta velocidade pela cidade com pessoas usando balaclavas que seriam os assaltantes", relatou Mariana Ladaga, uma correspondente do jornal ABC.
Justo Zacarías, governador de Alto Paraná, cuja capital é Ciudad del Este, disse que o presidente Horacio Cartes ordenou uma mobilização militar para vigiar a passagem dos criminosos rumo ao Brasil.
A fronteira é delimitada pelo rio Paraná.
Caos e terror na cidade
O governador Zacarías disse que "a empresa de valores está destruída e o ataque causou um caos e terror na cidade. Nunca ocorreu algo assim no Paraguai", destacou em declarações a jornalistas.
Os autores do ataque espalharam pregos no chão para furar pneus ao longo de sua rota de fuga.
O comandante da polícia paraguaia, Luis Rojas, disse não descartar a cumplicidade de policiais no assalto. "É uma hipótese muito válida que precisa ser analisada profundamente", enfatizou.
"Buscarei os meios, os melhores homens e trabalharei para encontrar estas pessoas, identificá-las, persegui-las, até que possamos capturá-las", expressou Rojas depois de confirmar que entrou em contato com as polícias de Brasil e Argentina para ajudar a esclarecer o ocorrido.