quinta-feira, 16 de março de 2017

Goleiro Bruno e as audiências de custódia


16 de março de 2017


Nas últimas semanas um assunto foi inevitável, a libertação do goleiro Bruno. Apesar de meus esforços em manter-me afastado do assunto a indignação supera o bom senso, sou obrigado a me juntar a multidão dos frustrados diante das “polêmicas” decisões da “justiça” brasileira. Tomado por um sentimento de desamparo, um vazio, a barreira que deveria separar os homens de bem dos maus, no Brasil, tornou-se tão permeável que a máxima de Rui Barbosa parece uma profecia cumprida, atualmente o cidadão honesto sente vergonha da sua integridade.
Mas a libertação prematura do assassino condenado é apenas o sintoma de uma doença muito mais grave que assola a nação. Que se manifesta em infecções e necroses muito mais fétidas e purulentas. Tome-se como exemplo as malditas audiências de custódia, talvez uma das maiores indignidades a que pode ser submetido um cidadão nas terras tupiniquins. Imagine ser vítima de um crime, nada grave, um assalto. Mas use ainda mais sua capacidade de construir cenários, neste assalto a polícia conseguiu prender o bandido, recuperar seus bens, apreender uma arma de fogo. Então, em um lampejo de eficiência estatal, vítima, bandido, policial, defensor público, promotor e juiz estão reunidos em uma audiência, imediatamente após o ocorrido. Claro, você pensa, um julgamento rápido, afinal foi uma prisão em flagrante temos todos os elementos para colocar este marginal atrás das grades. Neste momento, Sua Excelência, do alto da autoridade de sua toga negra, dirige-se aos mortais e logo interpela o marginal:
 Senhor Marginal, está audiência não é para julgar seus atos criminosos, mas para determinar se os policiais agiram de forma correta no ato de sua prisão. 
Isso mesmo, ninguém está ali para tratar do trauma da vítima, ou para saber se o policial, que efetuou a prisão, está ferido ou mesmo para julgar o marginal, preso em flagrante. O objetivo do circo é determinar se de alguma forma os direitos do “cidadão trabalhador em conflito com a lei”, foi de alguma forma desrespeitado pelo truculento e opressor policial que, de forma autoritária e violenta, fica andando pelas ruas impedindo que as vítimas do sistema capitalista manifestem sua revolta através a expropriação da burguesia. Na verdade, dependendo das alegações do bandido, quem pode sofrer um processo, talvez uma prisão, é o policial que evitou o crime.
Nossos queridos magistrados alegam que as audiências de custódia visam desafogar o sistema prisional, diminuir o número de encarceramentos que, traduzindo, significa penas mais brandas mais cestas básicas, prisões domiciliares, multas e serviços comunitários. Política que vem funcionando de forma assombrosa no país, basta ver como o número de homicídios vem crescendo de forma assustadora, quase 60.000 mortes violentas por ano. E não uso de ironia quando digo que a política está funcionando, pois essa é uma política deliberada, intencional e declarada de favorecimento das ações criminosas. Tudo em nome de uma ideologia tóxica que vem devorando a alma da nação e nos transformando no país mais burro e violento da face da terra. De acordo com um estudo, realizado em 2014 pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), de cada 10 homicídios praticados no mundo um aconteceu no Brasil. Conseguimos alcançar a taxa assustadora de 29,1 homicídios por 100.000 habitantes o que nos coloca entre os 12 países mais violentos, em uma lista de 154 nações.