sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Vereadores nomeiam suspeitos de crimes como assessores na Câmara de Belo Horizonte

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Vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte nomearam, nessa quinta-feira (12), como assessores parlamentares de gabinete, dois homens que são investigados e suspeitos de ter cometido crimes graves. Apesar de ambos terem sido presos em flagrante, nenhum deles foi condenado, o que possibilitou a nomeação a um cargo comissionado na Casa.


Nomeado como assessor no gabinete de Bim da Ambulância (PSDB), A. P. M. foi preso no ano passado por envolvimento em crime de receptação. Ele é suspeito de estar ligado a um esquema de roubo de veículos que atua na região metropolitana e na capital. Em 2007, ele já havia sido preso por supostamente ter ameaçado um ladrão de carros. A vítima, na época, afirmou à Polícia Militar que “trabalhava” para A. P. M. roubando veículos e que fora ameaçado por estar tendo um caso com a esposa do homem.

Em contato com o Aparte, o vereador Bim da Ambulância disse desconhecer o histórico do novo assessor e garantiu que iria desfazer a nomeação. “Não sabia mesmo, estou até assustado com essa informação. Vamos tomar providências agora mesmo e desfazer a nomeação”, argumentou o tucano. Ainda nessa quinta-feira (12), o parlamentar enviou à coluna o pedido de exoneração de A.P.M. O suspeito trabalhou na campanha de reeleição de Bim.

Quem também abrigou um suspeito em seu gabinete foi o vereador Eduardo da Ambulância (PTN), que assume seu primeiro mandato na Casa. O novato nomeou D. G. M., que, em 2015, foi preso em flagrante pelo crime de estelionato. Segundo relatório da Polícia Civil na época, o homem tentava aplicar um golpe em duas pessoas dentro do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), em Belo Horizonte.

D. G. M. cobrava das vítimas valores entre R$ 1.500 e R$ 2.100 para “facilitar a realização de exames médicos e de legislação” durante a renovação da carteira de motorista. Na ocasião, ele acabou sendo reconhecido por funcionários do Detran, que já sabiam de outros golpes dados pelo homem. A coluna tentou contato com o vereador Eduardo da Ambulância, mas nenhuma ligação foi atendida. A assessoria de imprensa do parlamentar também foi acionada, mas, até o fechamento desta edição, não havia tido resposta.

Os dois suspeitos foram nomeados para os cargos de assessores parlamentares, que têm vencimentos entre R$ 3.000 e R$ 8.000. Para este tipo de cargo comissionado, o servidor também não é obrigado a registrar presença na Casa. (Lucas Ragazzi)
Aparte