segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

PBH se une a hospitais para pôr fim à fila de cirurgias agendadas

Ciências Médicas
Ao menos 29 mil pessoas residentes em Belo Horizonte e em cidades próximas aguardam na fila para serem submetidas a algum tipo de cirurgia agendada em hospitais da capital.
A espera desses pacientes, que chega a superar três anos, pode estar prestes a terminar, uma vez que a nova gestão municipal está articulando, juntamente com três dos hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) BH, a viabilização de recursos financeiros para aumentar o atendimento.

A ideia é ampliar dos atuais 2.810 procedimentos mensais para 4.810 na capital. “Estamos fazendo esforços para acabar com a fila. As cirurgias eletivas e as consultas são nossas prioridades”, garantiu o secretário de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado Pinto.

Uma estimativa de Wagner Eduardo Ferreira, presidente da Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), mantenedora do Hospital Universitário Ciências Médicas, é que com a realização de 2.000 cirurgias a mais por mês na capital, a atual fila de espera seja extinta em aproximadamente dois anos. Além do hospital universitário, participam das negociações o grupo Santa Casa de Belo Horizonte e o Complexo Hospitalar São Francisco de Assis. “Já estamos montando as equipes, o processo está muito acelerado. Acredito que até abril ou maio a gente comece a fazer”, Ferreira.

A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA) informou que ainda estuda prazos para a realização das cirurgias. Sobre os custos, a pasta esclareceu que os recursos serão provenientes da política de cortes da atual gestão. “A meta é restringir gastos e investir nas áreas assistenciais”, esclareceu em nota. Os valores que serão investidos não foram informados.

Segundo o superintendente geral do Grupo Santa Casa BH, o médico Porfírio Andrade, o centro de saúde ainda está fazendo um estudo de gastos. O resultado será apresentado em uma semana para a SMSA. “Acertando valores, poderemos começar na semana que vem ou na outra”, disse. O superintendente geral do Complexo Hospitalar São Francisco, Helder Yankous, informou, em nota, que o complexo vai acompanhar a programação da secretaria.

Alívio. Para a auxiliar de serviços Maria José da Cruz, 39, que espera há três anos por uma cirurgia para retirar varizes, o investimento representa a chance de uma vida melhor. “As pernas queimam muito, e o pior é quando preciso subir escadas. Dói mais no período menstrual”, contou.

A demora para conseguir o procedimento levou a mulher a procurar um angiologista particular. Ganhando pouco mais que um salário mínimo, ela se desdobra para pagar o tratamento. “A consulta foi para R$ 200, agora vou ter que pagar aplicações de ‘espuma’. Cada sessão custa R$150. Tenho que fazer economias para pagar”, contou.
Demanda. Das 29 mil pessoas que aguardam na fila, 10 mil não moram na capital. Os procedimentos são realizados em 19 hospitais, entre públicos, filantrópicos e privados que atendem o SUS.


Demora pode aumentar risco

A longa espera por uma cirurgia agendada pode trazer complicações para pacientes e transformar procedimentos eletivos em emergências. Coordenador de cirurgia de fígado, pâncreas e vias biliares do Hospital das Clínicas, o cirurgião Marcelo Dias Sanches explica que a demora pode resultar até em quadros infecciosos.

Segundo ele, o paciente que aguarda, por exemplo, para a retirada de uma vesícula biliar pode apresentar crises de dor e complicações infecciosas como pancreatite aguda. “São poucas as cirurgias que podem esperar sem nenhum problema. Na maioria dos casos, a demora pode ser muito prejudicial”, alerta o especialista.

A atendente Juliana de Paula Melgaço, 34, aguarda há um ano e três meses para retirar a vesícula biliar. Duas ou três vezes por mês, ela precisa ir a um hospital para receber remédio venal para a dor. “Quando tenho crise, não consigo ficar em nenhuma posição. Incomoda quando faço serviços que forçam o abdômen”, contou. Juliana ainda tem restrições alimentares e se sente enjoada e cansada com frequência por causa do problema de saúde.


SAIBA MAIS

Aumento. O Complexo Hospitalar São Francisco tem capacidade para realizar mais 400 cirurgias eletivas por mês. O hospital Universitário Ciências Médicas calcula ter potencial para mais 500 procedimentos, já o Grupo Santa Casa BH informou que realizou 4.620 cirurgias em 2016 e tem a capacidade de elevar em 50% esse número.

Adequações. O hospital Universitário Ciências Médicas informou que o bloco cirúrgico passará a funcionar até a meia-noite para atender a demanda das cirurgias agendadas. O centro de saúde já estava em expansão e vai ganhar 34 novos leitos. O Complexo Hospitalar São Francisco informou que não precisará reformar leitos, mas será preciso um investimento em atualização ou reparo de alguns equipamentos. Segundo o Grupo Santa Casa BH, o centro de saúde vai racionalizar os horários.

Procedimento. A fila para a realização de cirurgias agendadas é dinâmica. Uma equipe de médicos reguladores da Central de Internação avalia e prioriza, de acordo com critérios técnicos, os casos mais graves. O tempo de espera varia conforme a especialidade. O funcionamento é de 24 horas por dia.
FOTO: LEO FONTES – 1.8.2014
Santa Casa
Ampliação. Santa Casa informou que tem capacidade para aumentar em 50% o número de cirurgias
Secretaria afirma que repasses de verbas estão atrasados
Repasses financeiros para a realização de cirurgias programadas estariam atrasados. A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA) informou que em outubro de 2016, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) interrompeu o financiamento dos procedimentos.

A SES explicou que os pagamentos relativos a outubro e novembro estão aguardando disponibilidade financeira. Com relação a dezembro, o Estado aguarda que o município informe quantas cirurgias agendadas foram realizadas no período. A pasta não informou quando o pagamento será feito.

Já o Ministério da Saúde esclareceu que repassou no ano passado R$ 4,7 bilhões para atenção ambulatorial e hospitalar – o que inclui cirurgias agendadas. Neste ano, o recurso será de R$ 4,2 bilhões. O ministério alegou que nunca deixou de mandar dinheiro.