terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Na base da confiança, loja sem vendedor faz sucesso no Sul de Minas (já pensou, isso aqui em BH?)

LOJA SEM VENDEDOR

No comércio, que fica às margens de uma estrada na zona rural da cidade, placas como "Pegue e pague", "Confio em vocês" e "Você NÃO está sendo filmado" explicam como funcionam as transações
Às margens de uma estrada de terra na zona rural de Delfim Moreira, município com pouco mais de 8 mil habitantes no Sul de Minas Gerais, uma barraquinha simples, que vende principalmente produtos orgânicos, doces e balas, vem chamando a atenção de pessoas de todo o Brasil. Num país em que muito se fala no "jeitinho brasileiro", é difícil não se surpreender com um comércio sem ninguém para tomar conta, onde os clientes escolhem os produtos, colocam o dinheiro em uma caixinha e pegam o seu próprio troco.
Ao chegar à loja do aposentado José Cláudio da Silva, de 60 anos, as placas espalhadas por todo o comércio atraem facilmente a visão dos clientes. "Pegue e pague", "Preciso vender",  "Confio em vocês", "Vamos mudar a imagem de que o brasileiro é desonesto", "Obrigado por ser honesto" e "Você NÃO está sendo filmado" são alguns dos recados deixados para os interessados nos produtos.
Diferentemente do que muitos podem acreditar, em funcionamento há cerca de 8 meses, o comércio tem dado muito certo, com o lucro chegando a quase R$ 300 em alguns dias. "Ela nasceu da vontade de confiar no ser humano. Vejo que ninguém acredita nos outros, mas eu sou um sonhador que crê que as pessoas podem mudar. Já trabalhei em muitos lugares do país, e o que eu vi foi um pessoal muito sofrido, que precisa de alguém que confie neles", argumentou o criador do estabelecimento.


Em seu terreno, Silva cultiva cerca de 30 itens orgânicos, que são expostos no comércio que fica aberto durante todo o dia. "Tem o preço de acordo com o tamanho, mas deixo para a pessoa determinar se o produto é grande, pequeno ou médio. Tem balas e outros doces também. Acho importante educar as crianças de que elas devem pagar por aquilo. Se não tiver dinheiro, pega e me fala, que depois premio eles com mais dois doces", brinca o aposentado.


Ele conta que já tinha visto uma loja no Rio de Janeiro que vende livros desta forma e outros comércios que funcionam sem vendedores na Europa, exemplos que serviram de inspiração. Quando a ideia surgiu, seus amigos, filhos e a esposa duvidaram que funcionaria. Mas agora, ao invés de verem as coisas sumirem das prateleiras sem o pagamento, Silva observa que os compradores têm colocado o dinheiro a mais na caixinha.
"Por mais que aqui seja uma estrada de terra, ela vai para a serra e, por isso, passam muitos turistas indo ou para São João Del-rei ou para Paraty. E as pessoas param, mesmo que só para tirar foto. Já vi pessoas do exterior que vieram só para conferir se era verdade. Acredito que isso daria certo em qualquer lugar do país. O brasileiro tem uma fome, uma vontade de virar essa página de que é desonesto. Se eu morasse em São Paulo, faria a mesma coisa e tenho certeza que funcionaria tão bem quanto", defende o aposentado.
Sucesso
Após a grande repercussão do estabelecimento nas redes sociais, Silva deu diversas entrevistas e chegou a receber convite para participar do programa "Encontro com Fátima Bernardes", da Globo. "Recusei ir ao programa, por que meu foco não é aparecer. Mesmo quando estou aqui e vejo as pessoas parando, eu fico olhando a loja só de longe", argumentou.
Como prêmio, Silva fica com os bilhetes deixados pelos clientes. "Eles agradecem, enaltecem a forma como funciona e falam que é preciso ter mais pessoas como eu. Tomara que eu inspire outros brasileiros a fazerem o mesmo", finaliza.

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