domingo, 22 de janeiro de 2017

Evento com show de Claudia Leitte em BH é embargado pela Justiça

Cidades - O Tempo - Belo Horizonte - MG
Evento Axe Minas com Bahia foi cancelado. Evento teria show da cantora baiana Claudia Leite  
FOTO: PEDRO GONTIJO / O TEMPO - 21.01.2017

Por falta de documentações e de alvará de segurança, a juíza de plantão decidiu que o show não poderia ocorrer neste sábado (21); na decisão, a magistrada chega a lembrar a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria
O evento "Axé Minas com Bahia", que traria diversos shows entre eles o da cantora baiana Claudia Leitte neste sábado (21), na Pampulha, em Belo Horizonte, foi interditado no fim desta tarde pela Justiça. O show foi interditado por falta de documentações necessárias e, também, por não ter o alvará de segurança atestado pelo Corpo de Bombeiros. 
A reportagem de O TEMPO esteve na porta do espaço Arena BH, que fica na avenida Professor Clóvis Salgado, no bairro Bandeirantes, e encontrou uma multidão revoltada com a decisão. "Respeito!", gritava o público do lado de fora. Foram distribuídos mais de 15 mil ingressos na área solidária, que é para aqueles que doaram 1 kg de alimento não perecível, além de uma área VIP, onde foram vendidos ingressos.
"O evento estava marcado para acontecer na Serraria Souza Pinto até sábado passado. Agora foi transferido para cá e, durante a semana, a produtora On Play fez o pedido para que fizéssemos uma nova vistoria de segurança contra incêndio e pânico. Porém, o prazo para a realização dessa vistoria é de 10 dias úteis. Diante da intempestividade da mudança, viemos aqui para interditar", explicou o tenente Wellington Azevedo, dos bombeiros.


Ainda conforme o militar, sem a aprovação do projeto contra incêndio, não é possível que o show aconteça. "É o que atesta a segurança de qualquer grande evento. Sem ele, não tem show", concluiu.

De acordo com o capitão Ricardo Gomes, do 34º Batalhão da Polícia Militar (PM), além do problema da ausência do alvará dos bombeiros, a produtora teria deixado de entregar diversos documentos indispensáveis para a realização do show. "Houve uma reunião de um comitê estadual, na Cidade Administrativa, e ficou atestado a falta de documentações. Um exemplo é que não foi feito o pedido ao Juizado de Menores do alvará para a presença de menores de 18 anos desacompanhados, sendo que grande parte do público é adolescente', explicou. 
A previsão era que os portões fossem abertos às 14h, porém, o show de Claudia Leitte, principal atração, estava previsto para começar às 20h. No início da tarde, segundo funcionários do show, parte do público que aguardava do lado de fora se revoltou e invadiu a arena. Entretanto, segundo uma testemunha que estava no local, os organizadores teriam simplesmente deixado que uma parte das pessoas entrasse, como tentativa de pressionar os bombeiros a fazerem a vistoria.
Diante de uma possível confusão por causa do público revoltado com o cancelamento, o vereador Leo Burguês (PSL) chegou a se deslocar para o local para tentar resolver o problema. "Até segunda ordem, a coisa pode virar questão de segurança, pois pode vir a ter um conflito. São muitas pessoas indignadas do lado de fora. Quem está perdendo é a população que não pode pagar um show caro e doou 1 kg de alimento", afirmou o político. 
Para ele, os bombeiros deveriam estar no local para fazer uma vistoria e, não havendo perigo, liberar o evento mesmo sem o alvará. "A produtora tem um laudo de um engenheiro que ficaria responsável em caso de algum problema", disse Burguês.
Em seu Instagram, Claudia Leitte publicou um texto lamentando o cancelamento do show: 


Nova data já marcada 
Após a apresentação do documento embargando o evento, funcionários da produção subiram ao palco e avisaram o público sobre a decisão. Avisando que o show foi remarcado para o dia 4 de fevereiro, acontecendo no mesmo local. Já no início desta noite, uma nota oficial foi divulgada pela assessoria de imprensa da produtora. Leia o texto na íntegra: 
"Informamos que devido a não liberação do evento por conta do Corpo de Bombeiros, que alegou falta de tempo para averiguar a segurança do local, pedimos desculpas e  informamos que o segundo ensaio oficial Axé Minas com Bahia teve que ser adiado para 4 de fevereiro neste mesmo local. A cantora Claudia Leitte é uma das atrações já confirmadas na nova data. Mais uma vez, contamos com o entendimento de todos e pedimos desculpas pelos transtornos". 
TJMG
Em nota enviada por e-mail, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais declarou que a juíza Flávia de Vasconcellos Lanari, durante o plantão de fim de semana, no sábado (21), negou solicitação de reanálise de liminar d produtora do evento. "Como houve alteração do local da atividade quatro dias antes da data marcada, a empresa promotora do evento pedia que, em caráter de urgência, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais apreciasse o projeto de prevenção contra incêndio e pânico para permitir que o show acontecesse. Até o momento da entrada do pedido judicial, em 19 de janeiro, isso não havia sido feito".

A magistrada declarou que "se baseou nas proporções do espetáculo musical, que tem público estimado de 15 mil pessoas, e no prazo curto que a inspeção pelos bombeiros exigiria, para negar o pedido". “Não posso, como magistrada e cidadã, substituir os rígidos critérios de avaliação do Corpo de Bombeiros e assumir responsabilidade pelo projeto contra incêndio e pânico e autorizar que o engenheiro do projeto assuma essa responsabilidade, até porque é o trabalho dele que deve ser avaliado pelo CBMG”, afirmou a juíza.

O processo tramita no Juizado Especial Cível e da Fazenda Pública, e está sujeito a recurso.
 
Juíza lembrou tragédia na boate Kiss
Na decisão que embargou o show, a juíza de plantão Flávia de Vasconcellos Lanari, do Juizado Especial Cível e da Fazenda do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), chegou a lembrar a tragédia na boate Kiss, quando um incêndio matou 242 pessoas e feriu 680 na cidade de Santa Maria, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, em 2013.
FOTO: REPRODUÇÃO
embargo claudia leitte
Juíza chegou lembrar tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS)
Este foi o segundo pedido na Justiça feito pela organizadora do evento que foi analisado. No meio da semana, foi concedido parcialmente uma liminar determinando que os bombeiros fizessem a vistoria dentro de 48h ou notificassem o tribunal dentro deste prazo sobre a inviabilidade da medida.
Já neste sábado, uma nova solicitação na Justiça foi feita por parte da responsável pelo evento. O objetivo era que o engenheiro contratado para fazer o projeto de segurança se responsabilizasse pela segurança do público, dispensando a vitoria dos bombeiros.
"O que se afigura imprudente (e displicente) é a apresentação de requerimento para apreciação do Projeto de Prevenção Contra Incêndio e Pânico quatro dias antes do evento em questão. Saliento que foi opção da requerente alterar o local do show. Talvez a requerente tenha se esquecido da tragédia da boate Kiss", argumentou a magistrada na decisão.
Segundo ela, não seria possível substituir os rígidos critérios de avaliação dos bombeiros e passá-los ao engenheiro que elaborou o projeto, uma vez que "é o trabalho dele que deve ser avaliado" pela corporação. 
Atualizada às 7h39

Câmara dos Deputados promove degustação de queijos mineiros

Evento foi articulado pelo presidente interino Fábio Ramalho (PMDB) e terá a participação do governador Fernando Pimentel (PT)