sábado, 7 de janeiro de 2017

BH tem a passagem de ônibus mais cara do Brasil; veja a lista

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Valor de R$ 4,05 vigente na capital é o maior do país, como mostra levantamento de O TEMPO

Os moradores de Belo Horizonte pagam a passagem de ônibus mais cara do país. Levantamento feito por O TEMPO com os órgãos responsáveis pelo transporte público dos 26 Estados do Brasil e do Distrito Federal mostra que os R$ 4,05 cobrados desde a última terça-feira é o valor mais alto entre as capitais estaduais e federal. O reajuste na cidade foi de 9,46%. O valor anterior da passagem era R$ 3,70.

Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, que ainda não tiveram reajustes em 2017, vêm logo em seguida no ranking. Apesar das reclamações e dos protestos da população, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) já adiantou que não pretende rever o valor, aprovado pela administração anterior, de Marcio Lacerda (PSB). O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) também não vê possibilidade de mudança no preço.

Segundo a entidade, o reajuste foi definido por critérios técnicos e com índices da Agência Nacional de Petróleo (ANP), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda segundo o Setra, o valor considera as variações dos preços de óleo diesel, pneus, chassis e carrocerias, mão de obra e outras despesas, como as administrativas, como prevê o contrato de concessão.

Segundo a BHTrans, 45% do total da tarifa é estipulado pelo custo do pagamento de salários de motoristas, cobradores e outros trabalhadores. No último ano, a variação desse item teve aumento de 16,43%.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) explicou que a administração anterior considerou “a estrita observância das cláusulas do contrato de concessão” ao conceder o reajuste. E acrescentou que “está dando início ao processo de análise profunda do contrato (entre a prefeitura e as empresas de ônibus) e suas planilhas, visando a avaliar se a evolução da tarifa está dentro dos parâmetros estabelecidos e se o contrato atende ao interesse público”. A PBH promete tornar públicas todas as informações apuradas.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi procurado para informar se tomaria alguma medida contra o reajuste da tarifa, mas o órgão está em recesso.

Comparação. Enquanto os belo-horizontinos têm que desembolsar no mínimo R$ 8,10 para deslocamentos de ida e volta, a população de Belém vive outra realidade. A capital do Pará tem a passagem de ônibus mais barata entre as cidades pesquisadas. O último aumento aconteceu em maio de 2014, quando o valor da passagem passou de R$ 2,40 para os atuais R$ 2,70. Em duas ocasiões, os empresários do ramo de transporte pressionaram por novos reajustes, mas o prefeito reeleito Zenaldo Coutinho (PSDB) vetou o aumento. (Com Ailton do Vale e Camila Kifer)
Em série. Entre dezembro de 2014 e dezembro de 2015, as passagens de ônibus tiveram três aumentos em Belo Horizonte. Em um ano, o reajuste acumulado foi de 29,8%, e o valor passou de R$ 2,85 para R$ 3,70
Sem aumento
INFOGRÁFICO
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cidades

Veja o gráfico 

CapitaisTarifas
Belo HorizonteR$ 4,05
Rio de JaneiroR$ 3,80
São PauloR$ 3,80
Porto Alegre R$ 3,75
FlorianópolisR$ 3,71
Goiânia R$ 3,70
CuritibaR$3,70
Cuiabá R$ 3,60
SalvadorR$ 3,60
Campo GrandeR$ 3,55
BrasíliaR$ 3,50
Manaus R$ 3,50
TeresinaR$ 3,30
MaceióR$ 3,15
AracajuR$ 3,10 
Boa VistaR$ 3,10
PalmasR$ 3
Rio Branco R$ 3
João Pessoa R$ 3 
NatalR$ 2,90
Porto VelhoR$ 2,90
São LuisR$ 2,90
RecifeR$ 2,80
Macapá R$ 2,75
Vitória R$ 2,75
Fortaleza R$ 2,75
BelémR$ 2,70

RJ e SP decidem manter valor

Antes mesmo de tomarem posse em 1º de janeiro deste ano, os novos gestores das duas maiores cidades brasileiras decidiram, pelo menos por enquanto, não reajustar a tarifa de ônibus urbano e, para isso, tiveram o aval dos administradores anteriores.

No Rio de Janeiro, a passagem deveria subir para R$ 3,95 (alta de 3,9%), mas, depois de a nova gestão municipal ter criticado o aumento, o prefeito anterior, Eduardo Paes (PMDB), concordou em manter o valor vigente. “Achar que aumentar a tarifa significa melhorar a receita é um pensamento equivocado. Ocorre justamente o contrário, por ampliar os problemas sociais”, disse o vice-prefeito do Rio de Janeiro e secretário municipal de Transporte, Fernando MacDowell.

Em São Paulo, o prefeito tucano João Doria prometeu, durante sua campanha, congelar as tarifas dos ônibus ao longo dos quatro anos do mandato. Em 2017, a tarifa será mantida em R$ 3,80, mas o chefe do Executivo da maior capital brasileira já falou que não é possível garantir o congelamento por todo o período. Com receio de fuga de passageiros para o metrô na capital paulista, a tarifa deste meio de transporte da cidade também foi mantida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Procurada, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) informou que não recomenda a comparação de preços de tarifas de ônibus coletivos urbanos em função das diferenças e das particularidades de cada localidade, o que impacta o valor de cada tarifa. (PRF)
Manifestações
Protesto. O terceiro protesto contra o aumento das tarifas de ônibus em Belo Horizonte foi realizado no fim da tarde dessa sexta-feira (6) e teve clima de Carnaval. Batuqueiros se reuniram com os manifestantes na praça Marilia de Dirceu, no bairro Lourdes, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde mora o prefeito Alexandre Kalil (PHS).

Justificativa. Os manifestantes, cerca de 50 até o início da noite, alegaram que, durante a campanha, Kalil afirmou que as tarifas eram excessivas, e cobraram uma atitude.