segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

'Aqui é o inferno, mas toda alma tem recuperação'

cadeia

O TEMPO inicia nesta segunda-feira (16) série de reportagens sobre a situação das penitenciárias de MinasDe mãos dadas na porta do presídio, três mulheres e um homem, com camisas da Igreja Internacional da Graça de Deus, oravam pedindo ao Senhor para abençoar as almas presas lá dentro. Aquela cena, em meio ao caos do sistema prisional, ironicamente simbolizava o que parece restar de alternativa à sociedade: rezar. Nessa primeira quinzena do ano, foram mais de cem mortes em penitenciárias brasileiras, onde as condições carcerárias não são muito diferentes das que se encontram em Minas Gerais, com superlotação e presença de facções. As preces por aqui devem ser para que rebeliões com mortos e repercussões sociais não aconteçam nos presídios mineiros, já que não há previsão de mudança neste cenário.

Uma amostra da dimensão desse problema é que, enquanto os 25 países do mundo que possuem pena de morte executaram em sentença cerca de 1.600 presos em 2015, conforme dados da Anistia Internacional, somente o Brasil registrou um quarto dessas mortes no ano passado, quando aproximadamente 400 pessoas foram assassinadas em presídios, cumprindo penas que não eram de morte.

No Código Penal brasileiro, a punição de privação de liberdade prevê condições que possibilitem a recuperação do detento para que ele retorne ao convívio social sem cometer novos crimes. O que especialistas apontam, porém, é um sistema prisional falido nesse propósito, que só perpetua a criminalidade dentro e fora das penitenciárias. Diante disso, O TEMPO inicia nesta segunda-feira (16) a série de reportagens “Presos no sistema”, que mostrará como sociedade e detentos estão presos a um modelo de muitas entradas e quase nenhuma saída.

A superlotação das unidades prisionais do Estado é só o início de uma cadeia de irregularidades. “É um barril de pólvoras pronto para explodir”, resume o advogado criminalista Gregório Andrade. A população carcerária está prestes a atingir o dobro da capacidade em Minas: são 61 mil presos para 32 mil vagas. E a falta de estatísticas transparentes coloca um pano preto em cima desse “barril”. Oficialmente, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) divulga seis mortes em presídios no ano passado.

Há 12 anos, o obreiro da Graça de Deus Jair Silva, 60, passa os dias de presídio em presídio da região metropolitana orando por essas “almas”. Ele aponta para a unidade de entrada de presos na capital mineira e diz em tom de pregação: “Aqui é o inferno, mas toda alma tem recuperação”.

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