quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Reitor da UFMG repudia ação da PM e diz que agressão a estudantes e professores é ‘inaceitável’

Estudantes promovem 'trancaço' na Avenida Antônio Carlos, em Belo Horizonte (Foto: Guilherme Homem/ TV Globo)

Polícia Militar reprimiu protesto nesta quarta-feira com bombas e balas de borracha.

O reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jaime Ramírez, repudiou a ação da Polícia Militar (PM) na noite desta quarta-feira (7), quando a corporação usou bombas de efeito moral e balas de borracha contra estudantes que se manifestavam contra a PEC 55 – que congela por 20 anos os gastos públicos – na Avenida Antônio Carlos, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte.

Por meio de nota divulgada nesta quinta (8), Ramírez disse que “é inaceitável que a polícia entre no campus da UFMG, dispare e agrida estudantes, professores e servidores técnico-administrativos”. Conforme a PM, manifestantes bloquearam o sentido Centro da avenida com barricada e depois atearam fogo em pneus. O protesto foi realizado na altura da portaria da universidade.

“Foi uma ação ainda mais violenta do que aquela que a PM perpetrou no dia 18 de novembro passado. Repudiamos a ação da polícia, que, mais uma vez, se revelou despreparada para lidar com manifestações da sociedade”, criticou o reitor Jaime Ramírez. 

De acordo com a nota da instituição, o protesto de estudantes secundaristas começou por volta das 19h, quando grupos queimaram objetos na Avenida Antônio Carlos para impedir o trânsito. A PM ordenou a saída dos estudantes e, diante da recusa, usou a força para dispersar os manifestantes, que se refugiaram no campus. Ainda segundo a universidade, os militares então lançaram bombas em direção aos estudantes. 

Conforme o texto, integrantes da Administração Central da UFMG, professores, servidores técnico-administrativos e um representante da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac) se dispuseram a mediar a situação, até se iniciar novo avanço da PM em direção ao prédio da Escola de Belas-Artes, onde a maior parte dos manifestantes buscou abrigo. 

A UFMG informou ainda que, após contato do reitor com o gabinete do governador, a PM se retirou do campus por volta das 21h40. Jaime Ramírez voltou a cobrar um posicionamento do governo do estado sobre a ação da polícia. 

A assessoria do governo de Minas informou que um representante da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania esteve no local para tentar mediar a situação. Segundo a pasta, ele vai preparar um relatório para a avaliação do órgão. 

O capitão da PM Flávio Santiago informou que os militares que estavam no local usaram bombas de efeito moral e balas de borracha para conter os manifestantes. Segundo ele, a corporação tentou negociar a liberação da via com o grupo, mas não foi atendida. 

Ainda conforme o capitão, alguns manifestantes estavam com o rosto coberto. Santiago informou que parte do grupo arremessou pedras e pedaços de madeira contra os policiais. O capitão disse ainda que foi preciso entrar no campus da UFMG para dispersar os ativistas. 

Testemunhas disseram que bombas também foram arremessadas de um helicóptero. A PM informou que usou uma aeronave na ocorrência.
A União Colegial de Minas Gerais e a União Estadual dos Estudantes também repudiaram a ação policial e ressaltaram o direito de manifestação, dizendo que os atos vão continuar.
Ouvidoria pede apuração
Em novembro, um protesto no mesmo local já havia terminado com uso de bombas de efeito moral e balas de borracha. O ouvidor da Polícia Militar Paulo Alkmin informou na ocasião que abriu um procedimento pedindo que a Corregedoria da corporação apurasse os fatos. A manifestação também era contrária à PEC 55.

Dez pessoas são presas durante operação de combate à criminalidade no Vale do Mucuri

Pelo menos dez pessoas foram presas, nesta sexta-feira (17), durante operação de combate à criminalidade no município de Malacacheta, no V...