quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Presos estelionatários que aplicaram 500 golpes em PMs e familiares

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Ao todo, 15 pessoas foram detidas em Minas Gerais e no Espírito Santo; bandidos chegavam a zombar da fé das vítimas

Uma ação conjunta do Ministério Público Estadual (MPE) e de militares do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) da Polícia Militar levou para cadeia, na manhã desta quarta-feira (21), um grupo, formado por 15 pessoas, suspeito de aplicar golpes para tirar dinheiro de policiais aposentados, de alguns que ainda estão trabalhando na corporação e famílias de militares que já faleceram. A quadrilha, que aplicou pelo menos 500 golpes nos últimos dois anos, pedia que as vítimas depositassem uma quantia para que pudessem receber cerca de R$ 60 mil.
De acordo com o promotor Peterson Queiroz, os casos foram descobertos após o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo entrar em contato com uma equipe de Belo Horizonte.
"Há cerca de seis meses, o Gaeco nos informou de um golpe contra uma pessoa em São Paulo e que havia a suspeita que a organização funcionava em Belo Horizonte. Começamos a fazer levantamentos e conseguimos dados do bando", explicou.
A dinâmica dos crimes era sempre a mesma: algumas pessoas do grupo ficavam responsáveis pela identificação de possíveis vítimas fazendo uma trabalho de "garimpagem" na internet. Logo depois, eles repassavam as informações para outros membros, que chegaram a montar dois espaços de call center em Contagem e Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte.
"Esses suspeitos já ligavam com dados privilegiados das vítimas, como nome completo, endereço e se era familiar de policial que já havia morrido. Bem articulado, o grupo falava que, após uma ação coletiva, as vítimas tinham dinheiro a receber, mas, para que fosse liberado rápido, era preciso pagar uma quantia, que iria cobrir as taxas processuais. Caso contrário, a pessoa teria que entrar com outra ação na Justiça, que poderia demorar de cinco a dez anos para resolver", contou o promotor.
Geralmente, o grupo pedia depósitos de R$ 2 mil a R$ 3 mil. No entanto, quando percebiam que a vítima era vulnerável chegavam a cobrar várias vezes. Em alguns casos, pessoas tiveram prejuízo de  R$ 40 mil. Outra forma de angariar dinheiro era usar nomes de policiais da alta cúpula da corporação, como coronéis.
Nos últimos seis meses foram cerca de 120 golpes, sendo que em mais de 70 casos as vítimas fizeram os depósitos. "O número de pessoas enganadas pode ser bem maior, uma vez que, até por vergonha, algumas não chegaram a fazer boletim de ocorrência. A gente pede que as pessoas denunciem", afirmou Queiroz.
Dos 15 presos, quatro foram detidos no Espirito Santo, onde também chegaram a cometer crimes. Eles serão trazidos para a capital mineira. Todo o grupo, formado por oito homens e sete mulheres, vai responder por estelionatos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Bandidos ostentavam até com apartamento no exterior
Segundo o comandante da Rotam, tenente-coronel Giovanne Gomes da Silva, os criminosos ostentavam com o dinheiro das vítimas. "Com a proximidade do pagamento do 13º salário, eles aplicavam de seis a dez golpes por dia. Os presos têm um bom patrimônio, que envolve  casas com piscinas, carros luxuosos, em nomes de 'laranjas', e até apartamentos nos Estados Unidos", contou o militar.
No entanto, como a investigação ainda continua, o MPE e a polícia não informaram qual o lucro da quadrilha.  Vários documentos, computadores e celulares dos suspeitos foram apreendidos.
Criminosos zombavam de vítimas
A ousadia dos estelionatários não tinha limite. Um outro ponto que chamou a atenção do promotor Queiroz foi o fato do grupo zombar das vítimas. "Quando eles ligavam, algumas pessoas agradeciam a Deus, uma vez que precisavam do dinheiro para tratar problemas de saúde, como câncer, ou quitar dívidas. Depois que desligavam, havia um deboche entre eles", disse.
Dados
A operação, batizada de Monte di Pletá, contou com a participação de dois promotores, um delegado de Polícia Civil e 92 militares de Minas Gerais, além de um promotor  e 18 militares do Espírito Santo.

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