quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Marcio Lacerda se lança pré-candidato ao governo de Minas em 2018

PARCERIA – Lacerda diz que tem proximidade política com Alckmin, mas nega que tenha conversado com ele sobre candidatura a vice na chapa presidencial
O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), passará o bastão ao eleito Alexandre Kalil (PHS) tendo no horizonte uma nova aspiração. Em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, ele revelou que é “pré-candidato natural ao governo de Minas” em 2018. Discreto, o empresário que ficou por oito anos à frente da administração já começou a pavimentar o caminho, percorrendo mais de 40 cidades. 


Como vitrine, segundo ele, terá uma gestão saneada (números da Transparência municipal mostram queda na arrecadação, mas contas equilibradas). 

Lacerda sairá do comando da capital, por exemplo, tendo pago o salário do funcionalismo referente a janeiro. A ideia é realizar o pagamento na última semana de dezembro e não no quinto dia útil do primeiro mês de 2017. O 13º salário já teve uma parcela depositada e a segunda sai no próximo mês. Ele também cita números de obras concluídas e serviços prestados, como a implantação de 88 novas Unidades Municipais de Educação Infantil e a redução em 74% na fila de espera por cirurgias eletivas. 

Sobre a transição, Lacerda acredita que o sucessor na administração municipal está “mal aconselhado e equivocado” ao garantir que não dará continuidade à nova rodoviária e ao Centro Administrativo. 

Qual balanço o senhor faz destes anos à frente da administração?
Se considerarmos o plano de governo que apresentamos em 2008 e 2012 e o plano estratégico para 2030, conseguimos ser bastante fieis ao rumo que defendemos para a administração durante as eleições. Foram 12 áreas de resultados, abrangendo todos os aspectos da vida da cidade, 40 projetos sustentadores e centenas de ações. Tivemos a felicidade de ter na história dos últimos 30 anos administrações que fizeram um bom trabalho e deram continuidade aos projetos dos antecessores, o que nós também fizemos. Boa parte dos projetos nem mudamos o nome, como Umeis, escolas integradas, etc. Isso é o que a população espera.

Como o senhor entrega o caixa da PBH e quais as perspectivas?
Fizemos um orçamento para 2017 com uma expectativa de crescimento da arrecadação bastante realista, um pouco abaixo da inflação. Mas já prevendo aumento da massa salarial em 9%, porque os funcionários não tiveram reajuste igual à inflação nestes últimos dois anos, e mantendo investimentos, principalmente com financiamentos que já estão assinados. Vamos fazer um relatório de transição, que será colocado na internet, com todos esses detalhes. Ou seja, todos os documentos que entregarmos para a equipe de transição do novo prefeito vamos disponibilizar publicamente. Inclusive vamos disponibilizar para o novo prefeito anteprojetos para a possível execução.

E os financiamentos, ficarão encaminhados?
Temos financiamentos para as obras de contenção de enchentes, por exemplo, na Cristiano Machado. E várias outras obras contra enchentes. Temos financiamentos em andamento para urbanização de vilas e temos financiamento, que vamos deixar encaminhado, que deveria ter saído neste ano, mas não saiu, do orçamento participativo de US$ 75 milhões.

O prefeito eleito Alexandre Kalil disse que não fará a nova rodoviária e o Centro Administrativo. Como o senhor vê essa posição?
Prefiro acreditar que ele esteja mal aconselhado. Acho que há um equívoco nesta colocação dele. A nova rodoviária tem um contrato assinado de concessão. A prefeitura investiu R$ 40 milhões em desapropriações e remoções lá. A prefeitura não vai investir nenhum tostão na construção. A prefeitura inclusive vai receber pagamento assim que a rodoviária entrar em operação. Com relação ao Centro Administrativo, o estudo feito mostra que a própria colocação de todas as pessoas, 5 mil, trabalhan</CW>do em um mesmo prédio – todas as áreas que são possíveis – faz com que a prefeitura funcione melhor. A economia em alugueis e em vários serviços que são duplicados permite amortizar, pagar o investimento ao longo dos anos.

Marcio lacerda
ÔNIBUS – Lacerda propõe tarifa social para custear passagem a desempregados

É possível congelar a tarifa de ônibus?
Existe um contrato que foi licitado em 2008, pela gestão Fernando Pimentel. No início, nossa tarifa estava no mesmo nível da de São Paulo. Ao longo dos anos, esta tarifa subiu menos do que a inflação, na nossa gestão. O contrato previa uma revisão em quatro anos, que foi feita com uma auditoria externa. Fizemos o que o contrato determinava. A tarifa de BH, se considerarmos a receita média por passageiro pagante, apenas o sistema dos ônibus de grande porte (sem incluir o suplementar e vilas e favelas), é de R$ 3,20, embora a tarifa máxima seja de R$ 3,70 porque é possível fazer duas viagens (benefícios), sem contar as gratuidades. Se considerar as gratuidades, que são 10%, a receita média por passageiros transportado é menor que R$3,20. 

Qual a validade do contrato?
Ele é de 2008 e tem validade de 20 anos. Com revisão a cada quatro anos. Esperamos que a razão prevaleça. Agora, é caro para a população? A população que recebe vale-transporte, que é mais ou menos 43% dos pagantes, não paga. O grande problema da tarifa é para o desempregado, para as famílias de baixa renda que têm muitos filhos. Por isso mesmo fizemos o meio-passe estudantil. São 10 mil estudantes que aderiram. Defendo que seja uma tarifa social para as pessoas de baixa renda que não têm vale-transporte. Para o desempregado. Seria justo. Como financiar isso? Uma hipótese seria um pequeno acréscimo no preço da gasolina. Se acrescentar R$ 0,10 no preço da gasolina, você pode baixar R$ 0,30 na passagem. 

Acréscimo por ICMS ou Cide?
Seria uma contribuição que cada Câmara votaria, em seu município, para subsidiar a passagem. A tarifa em BH não tem subsídio. Aqui, as empresas têm uma receita total em torno de R$ 1 bilhão ao ano, sem subsídio da prefeitura. Elas não pagam ISS e não pagam mais uma taxa que se cobrava antes, isso foi mudado com autorização da Câmara, o que permitiu segurar um pouco a tarifa. 

Como o senhor avalia a sua relação com a Câmara e qual conselho daria ao próximo prefeito?
Penso que a prioridade de negociação do prefeito é com os vereadores, não com os partidos. Acho que isso foi um erro que nós cometemos. Priorizamos a negociação com os partidos. Deveríamos ter priorizado a negociação com vereadores. 

No campo político, dizem que o senhor já teve conversas com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e que poderia até compor uma chapa presidencial com ele. Isso procede?
O PSB tem uma boa relação com ele. O vice-governador Marcio França é do PSB. Os dois foram parceiros na disputa em várias cidades de São Paulo. Então, existe essa proximidade política. Mas essa conversa que surgiu, no que me concerne, nas conversas que tenho tido, nunca houve, seja através do PSB, que eu saiba ou tivesse tomado conhecimento, não participei desta negociação.

O senhor tem pretensões políticas. O que o senhor pensa?
O prefeito de Belo Horizonte é um pré-candidato natural ao governo do Estado. Rodei muito o Estado nesta pré-eleição. Fui a 40 cidades de médio e grande porte organizando o PSB e sempre tive um acolhimento muito caloroso da população, das lideranças, quase como se estivesse fazendo comício para governador lançado. Então, esse carinho existe, essa admiração. E tenho uma convivência muito boa com muitos líderes de todos os partidos. Não tenho desafetos, adversários, nada disso. E todos sabem que minha atitude é de colaboração. Sempre procurei trabalhar em equipe. Sou um candidato natural e, se as circunstâncias políticas, porque ninguém é candidato de si mesmo, encaminharem o meu futuro para este caminho, seria uma honra muito grande participar desta disputa.

Qual o sentimento que fica nesta eleição?
Foi uma eleição atípica. Ao mesmo tempo que refletiu a desesperança, descrença na classe política, foi uma eleição em que as regras foram mudadas e se desembocou, no caso de BH, no fato de termos duas figuras muito conhecidas indo para o segundo turno. Tivemos 11 candidatos se digladiando em blocos de 10 minutos em “n” aparições durante o dia. A população entrou na eleição absolutamente desinformada. Para haver um debate mais qualificado sobre assuntos da cidade, deveriam ter debates especializados. Exemplo: hoje o debate de duas horas será sobre educação, amanhã sobre saúde, etc. A população vota sem saber de fato qual o conhecimento que cada candidato tem sobre assuntos importantes, quais propostas reais aquele candidato tem. Nossa democracia saiu diminuída desta eleição pela falta de espaço de debate. Quando houve espaço, ele não foi qualificado. 

O senhor fala da qualificação do debate ou acha que tinha que ter divisão melhor do tempo?
Quando era meia hora, o candidato que teve um minuto agora, ele teria três minutos. Um minuto é muito pouco. Quem teve um pouquinho mais de tempo e dinheiro chegou a 10% e gastou muito do próprio bolso. E nós tivemos mudança durante a campanha. Tivemos que trocar o candidato de última hora porque apareceu um problema grave para a imagem dele, que seria fatal na disputa.

O senhor acha que o Aécio sai diminuído?
É difícil dizer isso porque o partido que ele preside foi bem no país. Para quem almeja a Presidência da República, digamos... é aquela história: é preciso ser vencedor também na própria terra. Ele tem uma capacidade de recuperação muito grande, então, antecipar se isso vai ser fatal ou não para a carreira dele é muito difícil. Para 2018 acho que temos duas questões: a economia, como ela vai chegar lá, e o que vai acontecer na “Lava Jato” e como vai ficar o humor da população face a estas duas variáveis. Há pessoas que dizem que podemos ter até convulsões sociais. 

Setenta e seis por cento dos prefeitos eleitos em Minas vão para um novo mandato, qual conselho o senhor dá a eles?
É preciso não perder os primeiros seis meses. Quatro anos passam muito depressa. O prefeito já tem que entrar, no primeiro dia, com um diagnóstico mínimo do município. Ter um plano de 90 dias e durante esses três meses fazer o plano de um ano e, já durante os seis meses, ter o plano de quatro anos, oito anos. E ter o pé no chão no sentido de que o momento é de transição na economia. E fazer muitas parcerias, com governos federal, estadual. 

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