quarta-feira, 21 de setembro de 2016

'Vai ter volta', diz Nego do Borel após batalha de rap com policial em MG

Nego do Borel postou vídeo em sua página (Foto: Reprodução/Facebook)

Eles se encontraram na MG-265 quando cantor voltava de show em Viçosa.
Militar é rapper, professor e tem projetos sociais na periferia da cidade.

Um vídeo feito pelo cantor Nego do Borel e o policial e rapper Thomás Vieira, de 28 anos, improvisando versos sobre diversos assuntos repercutiu nas redes sociais. O vídeo teve mais de 58 mil compartilhamentos na página de Borel. “Todo mundo está falando isso, mas pode avisar para ele que vai ter volta. Dessa vez ele me ganhou, mas da próxima eu vou preparado e ele tá perdido comigo”, desafiou o cantor.
O encontro ocorreu quando o carro em que Nego do Borel estava parou em um posto de combustíveis no último sábado (17) na MG-265, na Zona da Mata de Minas Gerais, após voltar de um show em Viçosa. O militar mostrou uma música que compôs especialmente para a Olimpíada deste ano e foi convidado a gravar o vídeo. “Ele estava animadão, nunca tinha visto um policial daquele jeito. Chamei para fazer um duelo. Nós gravamos e está fazendo o maior sucesso”, contou Nego do Borel ao G1 durante entrevista nesta terça-feira (20).
Thomás contou que foi o frentista quem reconheceu Borel e o avisou. "Eu fui até ele e falei de um projeto que eu tenho, o Rima Rica, que oferece oficinas de cultura hip hop para crianças e adolescentes de escolas públicas da periferia. Ele não acreditou que um policial tivesse um projeto social e cantasse”, disse.
Borel se surpreendeu com a abordagem e com a disponibilidade do militar em gravar o encontro. “Ele me viu, se apresentou e começou a cantar. Eu chamei para fazer um duelo, perguntei se tinha problema por ele estar fardado, mas ele disse que não. É bom que a gente vê que, na polícia, não tem só o PM que troca tiros. É muito legal que ele seja eclético, que faça outra coisa, até porque quando você canta, transmite emoção para as pessoas e isso é essencial”, afirmou.
Além de fazer shows por todo o Brasil, Nego do Borel atua na temporada atual de Malhação e é um dos participantes da “Dança dos Famosos”, do Domingão do Faustão. “A minha carreira está muito boa, eu estou em um momento muito delicado da minha vida. Tenho que tomar cuidado, trabalhar bastante para manter isso, mas estou muito atento e feliz por estar na Malhação, na Dança dos Famosos e fazendo meus shows. É uma fase muito diferente de tudo que eu já vivi”, comentou.
Policial, rapper e professor
Vieira mora em Viçosa há cinco anos e trabalha na 111ª Companhia da Polícia Militar em Visconde do Rio Branco há cerca de um ano e meio. Ele também é professor de geografia, por influência da família, e dá aulas em escolas da rede pública de ensino da cidade.

“Essa questão veio da infância e sempre gostei de estudar, por influência da minha mãe e das minhas irmãs. Aos 17 anos, a única oportunidade que tinha era servir ao Exército. Fui (servir) em Juiz de Fora e me apaixonei pelo militarismo. Depois, enxerguei na PM a oportunidade de poder resolver problemas da sociedade, mesmo que fosse uma contribuição pequena”, contou.
Questionado se a relação entre sua música e os padrões da Polícia Militar é bem aceito, ele disse que o desenvolvimento de sua tarefa nas comunidades depende diretamente da maneira como se porta nas ruas e defendeu que existe uma modernização na PM.
“A Polícia Militar é uma instituição muito tradicional, mas trabalha com uma metodologia de policiamento comunitário, com um policial cidadão, mais próximo da comunidade. Eu acredito que o fato de eu fazer rap me ajuda muito com esses projetos de aproximação, porque existe esse distanciamento entre militares e sociedade, mas a polícia não quer isso”, afirmou.
Projeto Rima Rica acontece em escolas de Viçosa (Foto: Rima Rica/Divulgação)Projeto Rima Rica é realizados em escolas de periferias de Viçosa e região (Foto: Rima Rica/Divulgação)
Projetos 'Rima Rica' e 'Roda Cultural de Rap'
Sobre o projeto Rima Rica, que completa dois anos em outubro, o soldado falou com orgulho. Ele já conseguiu atender a mais de 800 crianças e adolescentes nas escolas públicas de Viçosa e região.

“Aconteceu pela falta de oportunidade, que ainda leva adolescentes a praticar crimes nas comunidades. A cidade é muito violenta e a resposta a isso foi criar o projeto. A oficina não é apenas pra cultura hip hop, falamos também de consumismo, valorização da cultura negra, respeito à escola, às instituições militares”, explicou.
Além disso, duas vezes por mês, Vieira também ajuda a realizar a Roda Cultural de Rap, uma extensão do projeto que faz nas escolas. “A oficina é pontual, mas, dentro disso, temos a Roda Cultural de Rap, que acontece de 15 em 15 dias, no Calçadão (ponto central de Viçosa). Aquela criança que se interessa pela música tem a oportunidade de estar lá. A roda é uma batalha de MCs, b-boys e tem o palco livre para quem quiser cantar”, garantiu.
O projeto Rima Rica pode ser acompanhado pela internet e através das rodas culturais, que acontecem quinzenalmente no Calçadão da Rua Arthur Bernardes, no Centro de Viçosa. Já o trabalho de Soldado está disponível em sua página do Facebook e no canal que mantém no Youtube.

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