sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Sargento Rodrigues propõe tolerância zero com flanelinhas

sargento rodrigues

O candidato à prefeitura de BH participou de entrevista na redação dos jornais O TEMPO e Super Notícia

O candidato à Prefeitura de Belo Horizonte Sargento Rodrigues (PDT) afirma que, se for eleito, irá dificultar a vida dos flanelinhas que cobram quantias pré-determinadas pelo “serviço” de vigiar carros. Segundo ele, a prática configura o crime de extorsão previsto no Código Penal Brasileiro e será duramente combatida em uma eventual gestão sua. A principal ação nesse sentido será o treinamento da Guarda Municipal armada, que fará o policiamento ostensivo nas ruas da capital: “Ele (o guarda municipal) vai parar, identificar e dar busca. Ele vai incomodar”.

Em entrevista transmitida ao vivo nessa quinta-feira (15) pelo Facebook do jornal O TEMPO, Sargento Rodrigues destacou duas linhas de atuação, caso seja eleito prefeito, para combater a criminalidade na cidade: prevenção, com incentivo à prática de esportes e adoção da escola em tempo integral, principalmente nas periferias, e combate ao crime. Nesta ponta, o candidato quer ampliar em 50% o efetivo da Guarda Municipal e armar todos os agentes. “Deparou-se com a situação que é estranha e suspeita, ele (o guarda municipal) pode parar o veículo. O guarda tem poder de polícia com essa nova lei”, disse o deputado.

Outra área que o candidato considera primordial em seu programa de governo é a da saúde. Sargento Rodrigues propõe investir em tecnologia de informatização para agilizar o atendimento em hospitais e postos de saúde, além de contratar mais médicos, dentistas e enfermeiras: “O segundo ponto é a capacitação, tanto dos profissionais da saúde como também dos gestores”.

Perguntado se acredita que a ampliação do metrô vai sair do papel, o candidato afirmou que sim e que é preciso mobilizar as bancadas mineiras na Câmara e no Senado para pressionar o governo federal e trazer os recursos necessários para a cidade.

Confira os principais pontos da entrevista, que teve duração de 30 minutos e está disponível na íntegra no portal O Tempo.

FOTO: DENILTON DIAS
sargento rodrigues
 
Na sua visão, qual o principal problema da cidade e o que fazer para resolvê-lo?

Eu diria que são dois grandes problemas: primeiro, a questão da saúde. Infelizmente, o cidadão mais humilde está completamente abandonado pelo poder público. É um problema que identificamos de imediato no diagnóstico que foi feito para o plano de governo, por meio de pesquisa, mas também caminhando pelas ruas da cidade. Infelizmente, a atual gestão abandonou os moradores, principalmente os da periferia, as pessoas que dependem da saúde pública. Tenho quatro propostas para solucionar essa questão e melhorar bastante o atendimento. Primeiro, ampliar o número de médicos, de enfermeiros e de dentistas. O segundo ponto é a capacitação, tanto dos profissionais da saúde como também dos gestores, temos que trabalhar muito, inclusive investindo em tecnologia, essa parte da gestão tem que ser muito aperfeiçoada...

Candidato, explique mais sobre o que seria essa melhoria na tecnologia. 

Por exemplo, nós temos um grave problema que é a questão dos leitos. Belo Horizonte tem um controle, e o governo federal, através do SUS, tem outro. Não batem essas duas informações. Então, se você integrar e compartilhar essas informações, usando as ferramentas da tecnologia, você faz a coisa fluir com muito mais rapidez, e o cidadão será melhor atendido. Terceiro ponto para a questão da saúde: hoje as equipes de saúde da família cobrem apenas 84% do território de Belo Horizonte. São 587 equipes na cidade. Portanto, precisamos ampliar as equipes dos agentes comunitários que trabalham na prevenção da saúde. Por fim, temos como proposta aumentar o número de medicamentos do programa Farmácia Popular.

Você falou de dois grandes problemas na cidade. Suponho que o segundo seja a segurança pública, que é um tema do qual você trata bastante em sua campanha... 

O município e o prefeito podem muito mais. O atual gestor é tímido, acanhado e não sabe fazer. Segurança pública se faz de duas maneiras: a primeira é trabalhar com políticas integradas na periferia. Os bairros foram abandonados; o atual gestor preferiu fazer grandes obras e se aliar às grandes construtoras e se esqueceu de gente. Nossa proposta é fazer uma revolução nas políticas sociais de forma integrada e inteligente, pegando um campo de futebol abandonado e transformando-o, colocando uma quadra poliesportiva ao lado. Faz bem pra saúde, faz a criança e o adolescente terem um rendimento melhor na escola. E temos que fazer a escola em tempo integral – onde a criança vai ter reforço escolar, esporte, cultura e curso profissionalizante. Por fim, teremos o (incentivo ao) primeiro emprego. Feito tudo isso, estaremos atuando na parte da prevenção social de segurança pública.

Qual é a outra maneira de atuar nesta área?

Com aqueles que não querem ter esporte, escola e um primeiro emprego vamos atuar firmemente. A cidade terá um modelo de segurança pública de dar inveja em qualquer capital do país. Fazemos segurança pública não só com as polícias Civil e Militar, o prefeito é quem comanda a Guarda Municipal. Vamos ampliar em 50% seu efetivo, vamos treinar e capacitar exaustivamente os agentes para que ela possa também fazer patrulhamento ostensivo e preventivo armado. Vamos fazer esse trabalho integrado com a Polícia Civil, com a Polícia Militar e utilizando outras agências: BHTrans, Secretaria de Regulação Urbana, Vigilância Sanitária e Código de Posturas.

Você fez várias críticas ao atual prefeito e críticas mais duras ao governador Fernando Pimentel. Se eleito, como será sua relação com o governo do Estado?

Hoje eu sou deputado da oposição. Eu continuo fazendo críticas ao governador. Ele abandonou e sucateou as forças de segurança pública do Estado. Eleito prefeito, eu deixo de ser deputado da oposição e passo a ser prefeito de toda a cidade. Vou até o governador, os deputados federais e os estaduais para fazer uma articulação política bem-feita. O atual gestor não sabe fazer isso. Foi isso que aconteceu com a mobilidade urbana, que ficou empacada. O belo-horizontino não tem mobilidade urbana à altura porque o prefeito achou que, sozinho, ele resolveria os problemas, e não resolve.

Você ainda acredita que a ampliação do metrô sairá do papel?

Acredito. Há duas formas de trazer o metrô: reunir um grupo de 20, 30 deputados federais, ir atrás dos senadores por Minas Gerais, cobrar a fatia deles de responsabilidade e marcar uma agenda com o ministro do Transporte. Se não deu com o ministro, vamos até o presidente. O presidente da República atende um grupo de 20 deputados tranquilamente. Ora, o governo federal abandonou Belo Horizonte por mais de 30 anos, agora a gente veio cobrar aquela parcela que eles investiram em outras capitais. Essa é uma forma, porque metrô só sai com verba federal. Qualquer outra conversa é enganação. A outra saída, se isso não acontecer, é a Parceira Público-Privada (PPP).

A internauta pergunta como pretende melhorar a mobilidade urbana.

De diversas formas. Melhorara questão da via pública, da iluminação, da sinalização, incentivar o transporte de bicicleta. Vamos implantar 380 km de ciclovias. Por outro lado, uma proposta que eu julgo muito eficiente é construir estacionamentos, até por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs), nas estações do metrô e do Move. O cidadão pode se deslocar de carro, de bicicleta, de moto e deixar o veículo na área de estacionamento, que vai ser olhada por guardas municipais. Mas a principal medida, para baratear a passagem, é quebrar o monopólio das empresas. Infelizmente, esse prefeito e todos os eleitos antes foram financiados pelos grandes empresários do setor de transporte. A primeira providência que vamos tomar é fazer uma auditoria séria e transparente nas licitações e nos contratos e vamos exibir para a população. Vamos adotar o passe livre para os estudantes, romper com a caixa preta da BHTrans e transformar isso de forma transparente. Eu asseguro: a passagem vai baratear.

Como solucionar o problema dos flanelinhas?

Infelizmente, as mulheres são as maiores vítimas desse flanelinha, que, na verdade, é um criminoso. Ele comete um crime que está no artigo 158 do Código Penal. Eu já deixei um recado: se eleito prefeito da cidade, flanelinha, aquele que está batendo carteira e assaltando à luz do dia, vai procurar outra cidade. A Guarda Municipal vai fazer o trabalho dela muito bem-feito. Não vamos deixar flanelinha em paz. Não é só o ato de extorquir, de exigir a quantia de dinheiro mediante ameaça. É um crime que é cometido à luz do dia e que o prefeito não faz absolutamente nada. Onde está a Guarda Municipal? Deveria estar nas ruas, patrulhando, dando busca, identificando essas pessoas e incomodando.

FOTO: DENILTON DIAS
sargento rodrigues
 

A guarda municipal tem um limite de atribuições. Ela não pode fazer o trabalho da Polícia Militar e da Polícia Civil. Como resolver isso?

Com o advento da Lei 13.022 de 2015, a Guarda pode muito mais. O prefeito é que foi desleixado, tímido, acanhado e não teve coragem. A Guarda pode fazer o patrulhamento ostensivo e preventivo armada e pode conduzir presos até o delegado. Uma coisa é o flanelinha pedir para vigiar o carro, outra é ele exigir a quantia indevida. Quando ele pede para vigiar, e você fala não, se ele cometer algum delito, cometeu crime contra patrimônio particular. Ele está em flagrante e pode ser abordado pelo guarda municipal.

Esses agentes podem fazer batida? Eles têm a vantagem da presunção da culpabilidade que a PM tem?

Ele vai parar, identificar e dar a busca. Ele vai incomodar. É possível. O prefeito é que não teve coragem de tomar a decisão. Com o advento da lei, a Guarda Municipal pode fazer patrulhamento ostensivo e preventivo. Prender em flagrante delito. Tanto a Polícia Civil quanto a Militar só podem prender em flagrante delito. Mas a Guarda não fará investigação, como a Polícia Militar não faz. O que é patrulhamento ostensivo? É viatura e guarda municipal armado, bem-preparado e equipado. Deparou-se com a situação que é estranha e suspeita, ele pode parar o veículo. O guarda tem poder de polícia com essa nova lei. E esse poder de polícia nada mais é que o poder de fiscalizar. O guarda pode multar; se ele pode multar, pode fiscalizar.

Um tema bem atual é o problema de infestação de carrapato-estrela no parque ecológico. Discute-se o que fazer com as capivaras, o que fazer com o parque. Na sua opinião, qual é a solução para esse problema? 

É muito simples: remover as capivaras de lá. O animal pode ser muito bem tratado em outra reserva. Infelizmente, deixaram o candidato do prefeito para tomar conta, e é como se tivesse tomando conta de duas tartarugas, acabou deixando uma fugir. Obviamente, a prefeitura tem que fazer a parte dela de prevenção naquela área, que está infestada de carrapatos. É preciso tratar os animais bem, mas é preciso priorizar a vida humana.

As últimas pesquisa eleitorais colocam você bem abaixo dos primeiros colocados. Na última, do Ibope, você ficou com 1%. Você acredita que é possível chegar ao segundo turno?

Acredito, estou confiante porque, infelizmente, quando se avalia a pesquisa você vê que a amostragem é um número insignificante para uma região tão populosa quanto Belo Horizonte. Por outro lado, a melhor pesquisa é aquela que aparece depois que as urnas se abrem. Ali é onde a pesquisa está concreta. Temos diversos casos no país em que as pesquisas apontavam uma direção e o resultado foi completamente diferente. Elas não têm uma margem de erro tão segura assim. Há muitos casos em que as pesquisas são utilizadas para favorecer determinados candidatos. Portanto, estou confiante, a nossa proposta é de pé no chão, séria e factível. Quem senta naquela cadeira (de prefeito) tem que estar preocupado com gente, com pessoas, e é isso que vamos fazer.

E qual é sua avaliação sobre as ocupações na cidade?

Temos, ali, pessoas que, em determinado momento, tiveram o ato desesperado de fazer aquela ocupação por uma questão social. Direito à moradia é um direito social. Mas, temos previsto no nosso plano de governo – ideia que nenhum outro candidato teve –, além de fazer um trabalho permanente com o governo federal, o do Estado e convênios para continuar com o programa Minha Casa, Minha Vida, um programa próprio de casas populares. Temos a proposta de vincular um percentual do Orçamento para o Fundo Municipal de Habitação para que, todos os anos, o município entregue “x” números de casas para essas pessoas que precisam de oportunidade. Por isso é que eu tenho dito que temos que priorizar as pessoas e determinadas políticas sociais. Elas têm uma ordem de prioridade, temos que obedecer essa ordem.

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