quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Gasolina no Brasil é 23% mais cara do que média no exterior

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Brasileiro compromete 2,4% de sua renda com o combustível; gasto é o sexto maior no mundo

O brasileiro paga caro nos combustíveis derivados do petróleo na comparação com outros países. O preço médio da gasolina nas refinarias nacionais é 23% maior do que a referência internacional e esse índice é de 39% no caso do diesel. Os dados foram divulgados ontem pelo Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) que utiliza a refinaria norte-americana do Golfo do México como parâmetro de preço.

Na pesquisa da CBIE da semana anterior, essa diferença era ainda maior: 30% no caso da gasolina e 45% do diesel. As distâncias entre os preços dos combustíveis no Brasil e no exterior caíram em função do aumento do preço de derivados do petróleo no mercado internacional, segundo o analista do CBIE, Ricardo Maia. “O preço do barril do petróleo caiu em 2014 de US$ 100 para US$ 40, mas essa diferença não foi repassada para o consumidor, para que a Petrobras, que é uma empresa que está quebrada, pudesse gerar caixa”, afirma o sócio-fundador do CBIE, Adriano Pires. Ele explica que, quando o barril do Petróleo estava a US$ 100, o primeiro governo Dilma mantinha o preço baixo. Depois, com a desvalorização no mercado internacional, os preços continuaram altos. “A variação do preço no petróleo não interfere no preço da Petrobras”, diz Pires.

Outra pesquisa, realizada pela Bloomberg e divulgada neste mês pelo site Novacana.com, mostra que o brasileiro gasta 2,4% de sua renda mensal só para comprar gasolina. No mundo, a média desse gasto é de 1,4%. Na China, o comprometimento dos salários é de apenas 0,45% e nos Estados Unidos de 1,89%. Nesse levantamento, o Brasil é o sexto colocado entre os países que mais gastam com o combustível fóssil, ficando atrás apenas da África do Sul, México, Grécia, Canadá, e Nova Zelândia.

Para Adriano Pires, os custos com o combustível tem impacto direto na inflação do país “porque o preço da gasolina é um dos que compõem o IPCA”, diz. O professor de economia do Ibmec, Felipe Leroy, lembra que a alta dos combustíveis também influencia na inflação de custos. “É aquela gerada pelo repasse ao consumidor dos custos dos produtores e nossa base logística é toda rodoviária”, diz Leroy.

Uma mudança na política da preço da Petrobras não será fácil, segundo Pires. “Se por um lado ajudaria a combater a inflação, por outro afetaria a Petrobras”, pondera. Anteontem, o presidente da empresa, Pedro Parente, disse que essa mudança está em estudo, mas não apresentou um prazo para que isso aconteça.


Pouca concorrência afeta mercado e mantém custo alto

Um mercado de combustível com pouca concorrência propicia a manutenção dos altos preços da gasolina e do diesel no Brasil, segundo o professor de economia do Ibmec, Felipe Leroy.“Mercados concentrados, com poucas empresas, não estimulam a queda dos preços”, diz.

O monopólio da Petrobras não é o único empecilho na análise de Leroy. “Além do monopólio da Petrobras, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) poderia atuar no mercado das distribuidoras, pois temos poucas empresas atuando na distribuição dos combustíveis e elas criam oligopólios que fixam valores dependendo da região em que atuam”, diz o professor. “Em algumas regiões, até um número pequeno de postos de gasolina pode influenciar na manutenção dos preços”, conclui.

OPINIÃO

Potencial em gás e petróleo não vai atrair investimentos

São Paulo. O presidente da Statoil no Brasil, Pal Eitrheim, avalia que o alto potencial de recursos de óleo e gás do Brasil, por si só, não é suficiente para atrair investimentos, sendo necessários diversos ajustes e recursos que facilitem a entrada de empresas internacionais. “O Brasil possui um potencial muito maior do que a Noruega. Porém, uma base superior de recursos é insuficiente para competir e atrair investimentos no mundo de hoje”, disse.

Para o executivo da companhia norueguesa, pontos como a política de conteúdo local, a atuação de operadores e o regime fiscal são entraves que dificultam os investimentos no Brasil. “Até 1995, a Noruega dava contratos para companhias locais que comprovassem competitividade em termos de qualidade, preço e serviço. Desde então, não temos mais isso, e o mercado doméstico aberto permitiu que o mercado norueguês se tornasse mais competitivo”, declarou.

Eitrheim classificou os ativos de Carcará, BM-C-33 e Peregrino fase II como “world class”, ressaltando que o projeto de Peregrino é competitivo nos atuais preços de petróleo praticados globalmente. “BM-C-33 e Carcará também são ‘world class” e vemos muito valor neles, mas ainda estão numa fase inicial, destacou.

Ele salientou que entre os pontos que o governo deve trabalhar para aumentar a competitividade do setor de óleo e gás do país e atrair investimentos no curto prazo, está a renovação do Repetro, regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens aplicável às empresas do setor de óleo e gás.


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