sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Dividido, PT pode ter debandada

CE - Comissão de Educação, Cultura e Esporte

Partido convive com divisões internas e teme perder discurso e dar origem até a outra sigla

Brasília. Rachado e fragilizado pelas investigações da Lava Jato contra o seu principal líder, o PT inicia o período pós-impeachment buscando um discurso contundente para se opor ao governo do presidente Michel Temer. Mas a tarefa se torna ainda mais complexa dado o embate interno que tende a se acirrar já nos próximos dias. Enquanto as correntes de esquerda querem a troca imediata da direção, o campo majoritário tenta postergar mudanças.
Esses grupos de esquerda têm alertado para o risco de quebra de unidade interna. Existe inclusive a possibilidade de debandada com a criação de um novo partido. “Pior do que perder o poder, é perder o discurso”, resume um parlamentar da ala mais à esquerda da legenda.
A avaliação desse petista é que o partido terá problemas para defender o seu legado no cenário atual do país. A bandeira da redução da pobreza promovida pelo governo Lula também pode se perder com a crise econômica.
Entre os deputados, fala-se em manter denúncia do “golpe” e críticas à agenda do governo Temer, como a reforma da Previdência. Já o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, voz crítica ao campo majoritário, também acredita que o partido, aliado a outros grupos de esquerda, precisa encontrar uma linha de atuação.
As discussões sobre como sair dessa encruzilhada serão iniciadas hoje, em reunião da Executiva da legenda, em São Paulo.
Com a missão de apaziguar as diferenças, Lula foi convidado para participar do encontro. A esperança é que o principal nome da legenda entre em cena mais uma vez para evitar um racha. No entanto, muitas das decisões do ex-presidente durante o período de derrocada do governo Dilma são contestadas internamente.
Um dos “erros” atribuídos a Lula foi a ideia de escalar Temer como responsável pela articulação política de Dilma, em abril do ano passado. No posto, o peemedebista e seus aliados tiveram acesso ao mapa de todos os cargos de confiança do governo, que, neste ano, seria usado nas negociações para aprovar o impeachment na Câmara.
Lula também aguardava o final do processo de impeachment para saber como vai atuar de agora em diante. A ideia de seus auxiliares é separar as atividades políticas do ex-presidente das do instituto que leva o seu nome.
Um novo revés para o PT deve acontecer caso Lula seja condenado na Lava Jato. Petistas acreditam que o ex-presidente não terá chance de defesa em um processo que classificam como político. Se uma eventual condenação do juiz Sergio Moro for confirmada na segunda instância, Lula seria enquadrado na Lei da Ficha Limpa e não poderia disputar em 2018.
Sucessores
Opção. O PT não possui outros nomes para concorrer à Presidência caso Lula seja condenado. “O partido não formou outras lideranças porque o Lula não permitiu. Isso foi um erro”, diz um petista.

ESPANHA

Partido quer veto da UE ao Brasil

Genebra, Suíça. O partido político espanhol Podemos elevou o tom de críticas contra o governo de Michel Temer na manhã de ontem e pediu oficialmente que a União Europeia (UE) suspenda suas relações comerciais e políticas com o Brasil.
O partido, que representou uma onda de protestos contra políticos tradicionais europeus, ganhou eleições importantes pela Espanha, mas continua com uma representação ainda modesta no Parlamento Europeu.
Na última quarta-feira, o partido já havia feito um pedido para que a UE continuasse a negociar com o Mercosul, mas sem a presença do Brasil. Ontem, os parlamentares do Podemos foram além e exigiram que a UE suspenda suas relações políticas e comerciais com o país. Para os deputados Xabier Benito e Miguel Urbán, a UE não pode reconhecer a “legitimidade do governo golpista até se restabeleça a vontade das urnas”.

Em carta enviada à chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, o grupo político argumenta que o governo brasileiro “carece de legitimidade democrática”. Urbán, que é membro da Comissão de Assuntos Externos do Parlamento Europeu, e Benito, vice-presidente da Comissão de Relações com o Mercosul, insistem que qualquer iniciativa comercial ou política por parte de Bruxelas, sede da União Europeia, legitimaria Temer. “Pedimos o fim imediato de qualquer relação comercial ou política”, escreveram os parlamentares.
A União Europeia deixou claro que não existe espaço para questionamentos sobre o processo conduzido no Brasil. “A UE acredita que as instituições democráticas do Brasil foram capazes de lidar com os desafios políticos da situação”, afirmou a entidade.

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