quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Violência no campo impulsiona adesão em rede de proteção

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Cresce participação de agricultores em modelo colaborativo de prevenção, que envolve comunidade e PM

O aumento nos casos de furtos e de roubos de grãos e de gado levou à zona rural de municípios mineiros um mecanismo já conhecido nas grandes cidades, a rede de vizinhos protegidos. O modelo, adaptado à realidade dos agricultores, é desenvolvido em parceria entre sindicatos rurais, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e Polícia Miliar (PM).
Para participar da rede, o produtor faz um cadastro e informa à PM os dados da propriedade, como nome, localização, formas de aceso e, em alguns casos, cadastra bens como tratores e carros. Os proprietários têm um número para se comunicar com o batalhão da área, por telefone ou WhatsApp, dependendo da região. A propriedade recebe uma placa com um número que a identifica na comunicação com a PM.
Em Nova Resende, no Sul de Minas, a Rede de Agricultores Protegidos foi implantada há um mês, e os proprietários ainda estão sendo cadastrados. “Todo dia a gente ouve caso de roubo aqui”, disse o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Nova Resende, Ronaldo Ferreira Cardoso. Ele contou que, além da rede, os produtores demandam mais patrulhamento. “Queremos que a polícia passe de vez em quando pela zona rural, para dar mais sensação de segurança”, disse Cardoso.

Já para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Curvelo, na região Central, Ângelo Augusto de Souza, a rede aumenta a sensação de segurança. “O indivíduo pensa duas vezes antes de entrar na propriedade que faz parte da rede”, avaliou. Souza informou que o modelo está em uso no município há dois anos.
Na dianteira. Em Patrocínio, no Alto Paranaíba, o sistema é usado há cinco anos. O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Patrocínio, Osmar Pereira Nunes Júnior, avaliou que, após a implantação do projeto, o tempo de chegada da polícia às propriedades reduziu. “Tem muitas fazendas com nomes iguais e, com esse número (de identificação), a polícia já sabe qual é a propriedade e como chegar lá”, explicou Júnior.
São cerca de 800 propriedades cadastradas na cidade e nas vizinhas Guimarânia e Cruzeiro, todas no Alto Paranaíba. Contudo, o programa sozinho não reduz a criminalidade. “Para diminuir a incidência e aumentar a punição, precisaria de outras ações”, afirmou.
É a mesma avaliação do coordenador do Centro de Pesquisa em Segurança Pública da PUC Minas, Luís Flávio Sapori. “A utilidade maior das redes é preventiva, para identificar veículos suspeitos e pessoas desconhecidas. Mas, para diminuir a incidência de roubos, é preciso melhorar a investigação e desbaratar as quadrilhas”, afirmou. Ele disse que, diferentemente do meio urbano, no rural não é possível fazer um policiamento ostensivo, o que dificulta a prevenção.
Posição
Tentativa. Como ontem o expediente nos órgãos estaduais foi reduzido em razão de Jogos Olímpicos no Mineirão, a PM não informou quantas redes existem no Estado nem como é o patrulhamento em áreas rurais.
Deputados querem delegacia especial
Assembleia. As Comissões de Segurança Pública e de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais discutiram a violência no campo, no início desta semana, e sugeriram a criação de uma delegacia de furtos e roubos rurais.
Delegacia.  A Polícia Civil informou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda não estudou a criação da delegacia especial. As investigações sobre os casos ocorridos no campo são feitas pelas delegacias das cidades ou região onde o crime ocorreu.
Crimes. De acordo com dados obtidos pela Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), obtidos junto à Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), de janeiro a setembro de 2015, foram 1.178 casos de furto, roubo e extravio de rebanhos no Estado, mais do que os 1.094 registrados em todo o ano de 2014.
Residências. De janeiro a setembro de 2015, foram 5.389 casos de furto e arrombamento em residências rurais, também de acordo com dados levantados pela Faemg.

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