sexta-feira, 8 de julho de 2016

Protesto contra a Guarda Municipal de Itabirito termina em quebradeira

Protesto Itabirito

Juventude da cidade reclama da falta de preparo da corporação e da violência em suas abordagens; Prefeitura diz que corporação é frontada e perseguida

A Prefeitura de Itabirito, região Central de Minas, diz que o protesto dessa quarta-feira (6), que terminou em quebra-quebra, foi um ato deliberado de vândalos. A declaração é do prefeito Alex Salvador (PSD), feita à reportagem de O TEMPO nessa quinta-feira (7).

A confusão envolve a Guarda Civil Municipal, que na visão da administração municipal, é afrontada e perseguida. Por outro lado, a população reclama do despreparo da corporação e violência em suas atuações.

A primeira confusão foi registrada na última sexta-feira (1º) com abordagem de um jovem, de 22 anos, em atitude suspeita. "Há algum tempo uns grupos da cidade vêm perseguindo a Guarda Municipal. E isso, pelo simples exercício da função, que é abordar e revistar suspeitos. Na sexta-feira passada, no bairro Praia, um jovem com passagens por tráfico e por roubo reagiu à abordagem e agrediu os guardas. Ele é lutador de artes marciais... Ele foi encaminhado para a delegacia pela Guarda e liberado", contou o prefeito Salvador. Nessa ocorrência não houve atuação da Polícia Militar.
Ainda segundo o prefeito, na segunda-feira (4), um grupo ligado ao jovem detido pela Guarda passou a provocar os agentes da corporação no centro da cidade e também nos bairros, a bordo de carros e motocicletas em situação irregular. "Na praça da Estação, o jovem que causou toda a confusão, agrediu verbalmente e fisicamente um guarda, que reagiu, aí eles entraram em luta corporal".
O suspeito, reincidente, terminou detido e levado para exames de corpo de delito na UPA que foi invadida por comparsas que passaram a quebrar a unidade e, de novo, segundo o prefeito Alex, a agredir os guardas. "O prejuízo só não foi maior porque a Guarda não deixou", narrou. Nesse dia, diversas pessoas foram detidas e a ocorrência acompanhada pela Polícia Militar.
"Já nessa quarta, o que nós vimos, e que eu nunca vi, foi uma manifestação de vândalos, com intenção clara de depredar o patrimônio público e privado", indignou-se o prefeito. De acordo com a prefeitura, o grupo saiu em passeata pela praça 1º de Maio, onde foi registrado maiores danos em decorrência do protesto.
"Eles quebraram os vidros do Salão dos Ferroviários, uma atração turística da cidade; quebraram vitrines de lojas, danificaram carros particulares e da prefeitura. Na confusão, eles jogaram pedras, paus, duas idosas foram atingidas... Umas 20 pessoas foram presas ontem, e pra não ser incorreto, leviano, não vou dizer que todos, mas 80% deles têm passagens por vários crimes e estão ligados a líderes da criminalidade daqui", terminou o prefeito Alex Salvador. 
Outro lado
A passeata foi organizada por alunos da Escola Estadual Engenheiro Queiroz Júnior, os mais prejudicados com a ação da guarda, segundo um membro da União da Juventude Socialista (UJS) de Itabirito, que conversou com nossa reportagem nessa sexta-feira (8). Ele pediu para não ser identificado. Conforme a União, cerca de 500 pessoas estiveram no protesto e 15 foram detidas.
A UJS contou que existe um histórico de agressão da Guarda Civil Municipal de Itabirito contra os jovens. "Basta usar chapéu de aba larga, alargador na orelha e andar de skate para ser considerado suspeito. Os dois jovens, pivôs de toda confusão que começou na sexta-feira passada (1º), são alunos dessa escola", desabafou o membro.
A União esclareceu que entrou no protesto para dar força ao movimento, um viés político, para não ser apenas um monte de jovens sem ter o que dizer nas ruas. "O problema é que no meio da passeata estavam infiltrados integrantes de torcidas organizadas da cidade, que também são contra a ação da Guarda. Eles não entenderam o motivo do protesto e, infelizmente, soltaram a primeira bomba. Aí, a Polícia Militar reagiu, e começou toda a confusão e quebradeira. Percebendo isso, nós, da UJS, saímos da manifestação", explicou.
"A Prefeitura de Itabirito, inclusive, sabia da passeata e tem dialogado conosco, o problema são alguns guardas, recém-incorporados...Nossa manifestação era para mostrar a indignação contra o abuso de autoridade de quem não respeita a juventude e, que de maneira arbitrária, independentemente de o jovem ter ou não envolvimento com drogas, apenas pela aparência, agride. O que falta à Guarda Municipal é discernimento. Eles não têm sensibilidade, não têm respeito pela diversidade", finalizou o membro da  União da Juventude Socialista de Itabirito.
Apesar de não concordar com o quebra-quebra, um morador do bairro São São José, reforçou que ninguém mais aguenta a atuação da Guarda Municipal. "Eu fiquei sabendo que o pessoal estava na manifestação jogando bombas, até uma banca de jornal foi destruída. Eles quebraram a Sala dos Ferroviários, arrancaram lixeiras, espalharam lixo, e colocaram fogo, isso foi ontem (quarta) por volta das 15h, foi no centro".
Ainda segundo o leitor, o protesto era feito pelos amigos do "Ramon", que foi preso. "Só que aí, veio o pessoal dos 'predinhos' e tumultuou tudo. A Tropa de Choque da Polícia Militar estava observando a manifestação e só reagiu porque vieram esses vândalos aí... Não estou de acordo com o que foi feito, mas a população de Itabirito está revoltada com ação da Guarda, que agride sem qualquer motivo. Eles não tem educação pra conversar...Uma vez, perto da minha casa, um conhecido meu foi agredido e fui até lé pra tentar defender ele. Os guardas colocaram ele na parede... as agressões são sempre sem motivos", denuncia.
A Polícia Militar informou que apenas o jovem, de 22 anos, consta como detido desde o início da confusão, na última sexta, em uma ocorrência caracterizada como envolvimento em quadrilha ou bando.
Nossa reportagem aguarda o retorno da Polícia Civil sobre o número de detidos e andamento das investigações.  

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