quarta-feira, 25 de maio de 2016

Grupo ocupa prédio ocioso inaugurado há um ano e meio

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Centro de Referência da Juventude, no centro, previa atividades de lazer e de cultura, mas não foi adiante

Ocioso desde sua inauguração, em dezembro de 2014, o Centro de Referência da Juventude de Belo Horizonte (CRJ) foi ocupado anteontem à noite por um grupo de cem pessoas. Executado pelo governo do Estado em parceria com a prefeitura da capital, o imóvel abrigaria projetos de formações profissional e cidadã, atividades de lazer, de cultura e de esportes para cerca de 10 mil moradores da região metropolitana por mês. Contudo, passado esse tempo, não há diretrizes para o uso do espaço, tampouco um plano de gestão para o centro, único em Minas idealizado nesses moldes, conforme representantes dos movimentos ouvidos pela reportagem.



“Esse espaço é uma válvula de escape para a juventude, que é atacada nas periferias, excluída da música, da cultura e dos modelos educacionais. E resgatar isso é a nossa intenção”, disse Clauberson Black, 20, da União da Juventude Socialista. 


O prédio, que tem cerca de 5.000 m², previa bibliotecas, salas multiúso, anfiteatro e vários equipamentos para a oferta de programações culturais e educacionais destinadas ao público de 15 a 29 anos. Para isso, foram investidos por parte do Estado R$ 10 milhões em estrutura e R$ 800 mil em mobiliário, conforme a Secretaria de Estado de Direitos Humanos. A prefeitura, de acordo com a pasta, entrou com uma contrapartida de R$ 2 milhões. As obras começaram em 2012.


Histórico. Segundo alguns jovens que ocuparam o centro, no fim do ano passado, depois de uma audiência pública na Câmara Municipal, foi estabelecida uma comissão para pensar sobre a gestão do CRJ. Naquele momento, foi requisitada a realização de um seminário, no qual seriam estabelecidas as diretrizes para uso do equipamento público. No entanto, eles afirmam que esse seminário nunca aconteceu e que a comissão parou de se encontrar.


O governo do Estado informou, por meio de nota, que cedeu o prédio para a prefeitura, que é quem deveria estar coordenando seu funcionamento. Já a prefeitura da capital, também por nota, informou que o centro<CW2> está em fase final de ajustes administrativos e de mobiliário para entrar plenamente em funcionamento. A reportagem questionou a prefeitura sobre a demora na liberação do espaço, a previsão de abertura e os planos para gestão compartilhada, mas não obteve essas respostas.


Demanda. Integrante do Fórum das Juventudes da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Áurea Carolina contou que esse espaço é uma demanda antiga e se arrasta há mais de 10 anos. “Em síntese, o poder público tem dificultado o diálogo com a sociedade civil e não cumpre acordos deliberados em audiências públicas. Queremos construir uma gestão democrática, isso é o que reivindicamos para o centro”, afirmou.(Com Débora Costa/Especial para O TEMPO)
Movimento sem data para acabar 
A ocupação do Centro de Referência da Juventude não tem data para acabar. A expectativa do grupo é encontrar um consenso sobre a gestão compartilhada e a data de abertura do espaço.


Os jovens denunciam que, mesmo sem a abertura do centro, a prefeitura tem cedido o local para algumas atividades, como as do Festival Internacional de Teatro (FIT). O Executivo municipal, por meio de nota, conformou a realização desses eventos, mas não explicou quais são nem quando serão realizados.


Análise. Para Juarez Tarcísio Dayrell, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), não dá para deixar a formação de jovens sem a perspectiva da cultura. “Na medida em que as escolas estão muito deterioradas, espaços como esses serviriam até para educação em tempo integral”, disse. 
Saiba mais
Detalhes. O imóvel, localizado entre a praça da Estação e o viaduto da Floresta, no centro, tem um auditório para 300 pessoas, uma sala de música, um estúdio de gravação, um ateliê, uma cozinha industrial, cinco salas de oficinas multiúso, um teatro de arena, uma biblioteca infantojuvenil com mais de 30 mil exemplares e uma gibiteca, também com 30 mil exemplares, segundo os movimentos que ocuparam o espaço. Eles garantem que vão preservar o lugar.


Estrutura. A prefeitura estima que sejam necessários 25 funcionários e 25 monitores (estagiários), além das equipes de segurança e de limpeza. A expectativa é que passem anualmente pelo centro 1,2 milhão de jovens.


Objetivos. O edifício, segundo as diretrizes da prefeitura publicadas em seu site, visava ser o primeiro aparelho público do Estado voltado para jovens, promovendo atividades de cultura, lazer, educação, formação profissional, entre outras. A estrutura também tem condições de estimular a produção e a divulgação de informações de interesse desse público e ampliar a formação, o conhecimento e as oportunidades que auxiliem na inserção social.

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