segunda-feira, 23 de maio de 2016

Governo não deve interferir na Justiça, diz Sergio Moro sobre Jucá

sérgio moro

Questionado sobre a Lava Jato perder fôlego, Moro afirmou que "a Lava Jato não é um seriado, existe um trabalho de investigação feita em quatro paredes"

O juiz Sergio Moro não quis comentar a gravação revelada pela Folha de S.Paulo nessa segunda (23) em que o ministro Romero Jucá sugere um pacto para deter o avanço da Lava Jato.

"Não tenho comentário específico sobre essa situação porque não estou totalmente à par", disse Moro. Ele também defendeu que assuntos pertinentes a Justiça não devem ter interferência do governo e vice-versa. "Não deve haver nenhuma interferência do governo. Os trabalhos devem ser independentes", disse.
Moro é um dos convidados para um debate no Fórum Veja, promovido pela revista nesta segunda em São Paulo.

O ministro do STF Luis Roberto Barroso, que participa do debate com Moro negou que Jucá tenha influência sobre os ministros do tribunal, como sugeriu o político na gravação, mas afirmou que recebe todos para audiências.
"É impensável que alguém tenha essa capacidade de paralisar as investigações. E que qualquer pessoa pode ter acesso a ministro do Supremo para parar as investigações. O ministro que chega ao Supremo só responde a sua biografia e a mais ninguém", disse Barroso.
Questionado sobre a Lava Jato perder fôlego, Moro afirmou que "a Lava Jato não é um seriado, existe um trabalho de investigação feita em quatro paredes" e que a investigação continua normalmente.
Perguntado pelo mediador, o jornalista da Veja André Petry, se ele acredita que um governo com sete envolvidos na Lava Jato fará algo par combater a corrupção, Moro disse que a postura possível de ser tomada que cabe no enfrentamento desse caso de corrupção é a aprovação de medidas de combate a corrupção defendidas pela força-tarefa da operação.
O mediador foi aplaudido quando disse que recebeu da plateia muitos papéis com a questão de quando o ex-presidente Lula seria preso.
"Se esse processo voltar, vai ser tratado com fatos e provas e sem influência de um eventual sentimento ou expectativa nesse sentido", resumiu.
Barroso disse que as pessoas não devem acreditar que determinadas prisões mudaram a situação e defendeu que o que tem de ser revisto é o atual modelo político.

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