sexta-feira, 20 de maio de 2016

Em BH, 30% dos bairros usam tecnologia contra violência

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Estratégia tem ajudado moradores a se conhecerem e se protegerem; WhatsApp é a principal

Pelo menos 30% dos bairros de Belo Horizonte já aderiram ao uso de redes sociais, em especial o WhatsApp, na tentativa de combater a violência. A Polícia Militar tem sido parceira dos moradores e há inclusive uma recomendação do comando da corporação para que todos os batalhões do Estado realizem ações em conjunto com a comunidade. De acordo com o capitão Flávio Santiago, chefe da sala de imprensa da PM, a iniciativa é eficaz, em especial por aproximar os moradores, possibilitando que eles criem uma rede própria de proteção.

A principal preocupação da população é o aumento no número de roubos. Os dados oficiais mais recentes da Secretaria de Estado de Defesa Social mostram que na comparação entre janeiro e abril do ano passado com o mesmo período de 2016 houve um aumento de 30% nos crimes. Para tentar evitar novas vítimas, moradores usam a tecnologia, entre outras coisas para avisar a polícia sobre suspeitos circulando pelo bairro e os vizinhos sobre novos tipos de golpe. “Quando um grupo se reúne e passa a se conhecer, ele se protege”, pontuou Flávio Santiago.

O militar explica que quando os vizinhos ganham intimidade e trocam informações, a criminalidade tende a cair, já que um passa a prestar atenção na rotina do outro e nota quando algo errado está acontecendo. A polícia ajuda nas reuniões das associações e também integra muitos grupos de WhatsApp pela cidade. Nos encontros, moradores combinam senhas para alertar os vizinhos sobre atividades suspeitas. “Há estabelecimentos em que a senha é ascender a luz. Podem ir para a frente da casa e até apitar”.

Exemplos. O bairro Bandeirantes é exemplo de união com a PM e uso de tecnologia que deram certo. Moradores afirmam que a criminalidade caiu e contam um caso recente de sucesso: a prisão do “estuprador do sedã vermelho” no início do mês.

A diretora de comunicação da Associação Pró-Interesse do bairro Bandeirantes (APIB), Adriene Moore, conta que o aplicativo ajudou a polícia na identificação do suspeito. “Nenhum indivíduo ou carro entra no Bandeirantes sem ser identificado. Temos participantes do grupo em todas as ruas e as informações vão sendo passadas”, contou.

No Padre Eustáquio, na região Noroeste, uma reunião com a PM está agendada para a próxima semana. “Não sabemos o que será implantado, esperamos propostas. Se você conversar com dez pessoas, todas dirão já terem sido assaltadas.

Luiz Felipe Zilli, especialista em segurança da Fundação João Pinheiro, reconhece que qualquer iniciativa é positiva, entretanto lamenta que a integração com a polícia não se estenda a decisões sobre gestão. “A estratégia de informação não promove a democratização do serviço. É preciso também que a polícia preste contas à população”, finaliza. 

Crime atinge maioria da população 
A reportagem de O TEMPO ouviu 35 pessoas no centro da capital sobre o temor e a incidência de assaltos. Do total, 15 relataram já terem sido vítimas. Outros 18 entrevistados nunca passaram pela experiência, mas conhecem mais de uma pessoa que já foi assaltada. Apenas duas pessoas disseram nunca terem sido abordadas e não conhecer vítimas.

“Tentaram me assaltar oito vezes. Da última, conseguiram levar meu celular”, contou o professor de artes marciais Rafael Santos, 18.



Prejuízo de ao menos R$ 13 mi
O aplicativo Onde fui Roubado é atualmente o único meio de informação dos moradores de Belo Horizonte sobre o prejuízo causado por assaltos. Segundo dados da plataforma colaborativa, de janeiro de 2012 até meados de maio de 2016, o prejuízo chega a R$ 13,6 milhões. Apenas entre janeiro de 2015 e meados deste mês, a cifra é de R$ 3,9 milhões. A Secretaria de Estado de Defesa Social se divulga essa informação.

Conforme a assessoria do aplicativo, a ideia é permitir que as pessoas possam se prevenir, já que são disponibilizados índices de criminalidade conforme a localização do usuário. É possível verificar, por exemplo, se há roubos de veículos na região onde um motorista pensa se vai estacionar na rua ou pagar um estacionamento particular. O aplicativo recebe uma média de 180 denúncias por mês da capital. Em breve, os desenvolvedores pretendem disponibilizar um mapeamento das delegacias da cidade.

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