segunda-feira, 11 de abril de 2016

PF vai investigar morte de policial que criticava Aécio


Famoso por vídeos com ‘denúncias’ na internet, Lucas Arcanjo teria se enforcado com uma gravata

O ministro da Justiça, Eugênio Aragão, pediu nesta segunda à Polícia Federal que investigue a morte do policial civil Lucas Gomes Arcanjo, encontrado morto no último sábado na sua casa, em Belo Horizonte. A nota enviada pelo ministério determina a total apuração dos fatos, “tendo em vista as circunstâncias de óbito repentino do investigador”. Lucas Arcanjo, que faria 45 anos daqui a um mês, foi encontrado pela esposa, por volta de meio-dia, no segundo andar da casa, aparentemente enforcado com uma gravata.
Seguido no Facebook por quase 23 mil usuários, Arcanjo ganhou notoriedade nas redes sociais pelas denúncias recorrentes contra o ex-governador de Minas e atual senador Aécio Neves (PSDB). Em diversos vídeos, o policial acusava o tucano de ligação com crimes variados, como narcotráfico, compra de habeas corpus e homicídio. Em uma das gravações, ele conta que um corpo foi encontrado na propriedade do primo de Aécio, Tancredo Tolentino, no município de Cláudio, com indícios de execução. “Mas nada é investigado”, argumentava.
Arcanjo ganhou apoio e conversava bastante com a atriz Tássia Camargo, ex-TV Globo, que reforçava as denúncias do policial contra o senador tucano. “Lucas entregou diversos documentos contra Aécio para Tássia, e ela me entregou todos. Estou examinando todos eles com cuidado”, revelou o deputado estadual Durval Ângelo (PT).

À frente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas, o parlamentar conta que mantinha proximidade com Arcanjo há pelo menos 20 anos e que ele sempre foi alvo de perseguição e retaliação entre os próprios colegas em função das várias denúncias que fazia para desarticular crimes dentro da corporação.
“A primeira vez que Lucas Arcanjo me procurou foi para denunciar um esquema de corrupção dentro do Detran de Contagem. Por causa dele, agentes e delegados foram afastados”, lembra Durval Ângelo. O deputado afirma que, por causa das denúncias, Arcanjo foi vítima de três atentados a bala, um deles no hospital.
Alvo de perseguição, Arcanjo desenvolveu transtornos mentais nos últimos anos e tomava fortes remédios, segundo o deputado. Ele foi afastado da Polícia Civil para fazer um tratamento psicológico que durava um ano. Na noite da última sexta-feira, o policial publicou em seu perfil do Facebook um vídeo, o último, em que aparece visivelmente deprimido, se dizendo com “asco” da situação política, chegando a apertar o próprio pescoço.
“Conversei com o irmão do Lucas, que é médico, e tanto ele quanto a esposa acreditam em suicídio. Esse também é meu pensamento, mas temos de aguardar a necropsia. Para mim, ele morreu de falta de ar e de falta de Justiça”, lamentou Durval Ângelo.
O deputado estadual Durval Ângelo (PT) disse que pedirá ao governador Fernando Pimentel que conceda a Arcanjo todas as promoções que lhe foram negadas em 25 anos de profissão.
Resposta
Em resposta à reportagem, a assessoria de imprensa do senador enviou a seguinte nota: "Sobre a associação feita no título da matéria, esclarecemos que não existem informações que indiquem que a morte do policial civil esteja vinculada a seu ativismo político nas redes sociais. Trata-se de um assunto da competência das polícias e que, segundo as informações constantes na própria reportagem, não remetem à atividade política.  É preciso nesse momento respeitar a dor da família do policial e aguardar o resultado das investigações em curso".

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