quarta-feira, 6 de abril de 2016

DISCURSO Pimentel transforma evento de liberação de crédito em ato pró-Dilma Na plateia, estavam prefeitos de diversos partidos, inclusive do PSDB e PMDB; foram liberados pouco mais de R$ 50 milhões em financiamento do BDMG para 57 municípios

Fernando Pimentel
O governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), elevou o tom de seu discurso e transformou nesta quarta-feira (6) um evento de liberação de dinheiro para prefeituras em ato contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O discurso de Pimentel durou cinco minutos. Sem citar diretamente Dilma, o petista propôs uma "reflexão" sobre o hino nacional e então elevou o tom de voz: "Eu fiquei pensando que eu queria compartilhar com todos os prefeitos e prefeitas, é que no Brasil, por mais difícil que esteja o momento, nunca faltarão vozes para levar a palavra da democracia, do respeito à Constituição e da dignidade para nossos cidadãos".
Nesse momento, parte dos presentes começou a aplaudir e gritar "não vai ter golpe!" e Pimentel completou: "Que falte a música, nós não precisamos dela, mas não vão faltar as nossas vozes, patriotas e guerreiros".
Na plateia, estavam prefeitos de diversos partidos, inclusive do PSDB e PMDB. Foram liberados pouco mais de R$ 50 milhões em financiamento do BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) para 57 municípios.
O evento foi precedido do hino nacional, mas, antes do fim, o sonoplasta baixou o som e os convidados cantaram o restante a capela.
Apesar de fazerem parte da oposição ao PT e ao governo federal, os prefeitos do PSDB não se manifestaram contra o discurso. "É assim mesmo. Achei o governador simpático", disse o prefeito de Itamogi, o tucano Osmair Martins, ao ser questionado sobre o discurso na saída do evento. Para a cidade de aproximadamente 10 mil habitantes foram liberados R$ 550 mil.
Já a petista Cecília Ferramenta, prefeita de Ipatinga, afirmou que "o governador foi espontâneo". "Nada ali foi programado", disse.
Depois do discurso, Pimentel saiu sem falar com a imprensa. Na última semana, foi revelado que a publicitária Danielle Fonteles, da agência de comunicação Pepper Interativa, disse em acordo de delação premiada que Pimentel a orientou a receber R$ 6,1 milhões de forma ilegal referentes a serviços prestados à campanha de Dilma em 2010.
A campanha ao governo de Minas Gerais de 2014 também é investigada pela Operação Acrônimo da Polícia Federal. Tanto o governador quanto a presidente têm negado qualquer irregularidade.

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