quarta-feira, 30 de março de 2016

Juiz de Araxá critica atuação da PM no combate à criminalidade Renato Zupo diz que cidade é "casa da mãe Joana" para criminosos. Tenente-coronel rebate críticas e ressalta esforço no combate a crimes.

Arnaldo Pereira Júnior, tenente-coronel da PM em Araxá (Foto: TV Integração/Reprodução)
O crescimento nos índices de criminalidade em Araxá tem preocupado a população e também autoridades de segurança pública. A sensação de insegurança foi tema de uma entrevista concedida nesta terça-feira (29) pelo juiz criminal Renato Zupo. Ele fez críticas à atuação da Polícia Militar (PM) e se referiu a Araxá como "casa da mãe Joana". A PM rebateu às críticas dizendo que se esforça como pode para combater o crime.
(Errata: O G1 errou ao informar que Ranato Zupo é promotor. Ele é juiz da Vara Criminal de Araxá. A informação foi corrigida às 8h30)
Perguntado sobre o significado da expressão, Zupo disse que os criminosos estão "à vontade" em Araxá. "Sem que seja coibida pela polícia repressiva e ostensiva, que é a Militar, e sem que seja processada e punida, que é o que, infelizmente, a população de Araxá tem visto de uns meses para cá".
O juiz disse que percebe inoperância no combate ao crime. "O Judiciário não vai permitir isso. Vai cobrar e buscar resultados que revertam esse quadro pernóstico de aumento súbito e até aqui inexplicado, ou mal explicado, da criminalidade", declarou.
Quem não estiver suportando e aguentando as mazelas do combate à criminalidade, que mude de ramo.
Renato Zupo, juiz
Durante a entrevista coletiva, Zupo também afirmou que moradores de alguns bairros de Araxá são obrigados, por traficantes, a não andar pelas ruas em determinados horários.
"Têm bairros aqui em que não se pode sair às ruas, em determinados locais, e não se pode passar por ordem do tráfico. Isso em uma instância hidromineral de 100 mil habitantes. Agora, cadê a polícia?", disse.
Zupo disse acreditar que a cidade possui bons policiais militares, mas alguns precisam combater a criminalidade "com bem mais efetividade", inclusive no atendimento feito via telefone 190.
"A população tem reclamado muito da falta de agilidade do serviço. Temos que tomar atitude e vestir a camisa de Araxá. Aqui não é lugar de aposentar, não. É lugar de trabalhar duro. Quem não estiver suportando e aguentando as mazelas do combate à criminalidade, que mude de ramo. Combater a criminalidade realmente é difícil. É pra poucos, porém bons. É esses que queremos conosco", finalizou.
Arnaldo Pereira Júnior, tenente-coronel da PM em Araxá (Foto: TV Integração/Reprodução)
Tenente-coronel Arnaldo Júnior defendeu atuação
da PM na cidade (Foto: TV Integração/Reprodução)
PM reage
O tenente-coronel Arnaldo Pereira Júnior, da PM, respondeu às acusações feitas pelo juiz. Ele classificou o atual índice de criminalidade em Araxá como "fora do padrão".

"Nós estamos fazendo todo o trabalho que está ao nosso alcance para devolver ao cidadão araxaense a tranquilidae que ele merece e que é a nossa missão de fazer. Temos feito isso diuturnamente", declarou. 
O militar também disse que a PM conta com a participação da população  por meio de denúncias. "Temos a confiança de que vamos reestabelecer a tranquilidade na cidade de Araxá na cidade e na região", acrescentou.
Sobre a afirmação feita pelo juiz de que existe "toque de recolher" imposto por criminosos a moradores de alguns bairros e de que, em outros, policiais não podem entrar, também por causa de criminosos, o tenente-coronel descartou essa hipótese.
Não existe zona de exclusão de policiamento na cidade de Araxá. Todo e qualquer localidade dentro do município, incluindo a zona rural, está sendo policiada.
Arnaldo Pereira Júnior, tenente-coronel da PM
"Não existe zona de exclusão de policiamento na cidade de Araxá. Todo e qualquer localidade dentro do município, incluindo a zona rural, está sendo policiada. É claro que não com a intensidade com que gostaríamos de fazer, porque temos limitações também".
Sobre o atendimento no 190, o militar disse que cidadãos que reclamem do serviço a outros órgãos (como ao Ministério Público, por exemplo, onde o juiz Renato Zupo atua), reclamem à PM.
"Nós não recebemos nenhuma reclamação de não atendimento ou mau atendimento no 190. Nós fazemos uma pesquisa permanente do atendimento feito pela PM. Essa pesquisa é feita desde o momento em que o cidadão telefonou até o momento em que a guarnição chegou e saiu do local, resolvendo ou encaminhando a solução do problema do cidadão", finalizou.

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