terça-feira, 22 de dezembro de 2015

"Ouço gritos, só não consigo ver de quem é. A COPOM no rádio pedindo prioridade, meu parceiro falando que fui baleado. 

Coloco a mão por baixo do colete e sinto que a bala passou. A dor não é nada comparada a angustia da morte. A angustia de pensar que deixarei minha mulher e filhos sozinhas. Não posso deixar isso acontecer, não posso.

Ouço mais tiros, procuro a minha pistola, acho ela no chão da viatura, porém está sem munição. Minha mão está tremula, minha visão escurecendo, eu não consigo achar a munição. 

Meu amor, hoje eu não irei te ver. Cuida dos nossos filhos. - Eu apago - 
Acordo dentro da viatura, deitado do banco de trás, meu parceiro falando pra mim ser forte, mas está tudo dificil de entender. Entre tiros, barulho de pneus e sirenes eu fico mais confuso ainda. 
Meu parceiro aperta a minha mão e diz pra mim aguentar firme. 

Chego ao hospital, vejo as luzes passando enquanto me levam pra sala de cirurgias. Tento falar mas a vóz não sai, vejo policiais e médicos me levando as pressas. 

Acordo no outro dia, olho pro lado a minha mulher e meus filhos e do outro lado o meu parceiro. Eu não morri, mas foi por pouco.Eu não reclamo, essa é a profissão que escolhi pra mim. Eu fui baleado mas os bandidos foram mortos, ou seja, cumprimos o nosso dever.

A paixão pela profissão fala mais alto na hora do QRU (ocorrência) e arriscamos nossas vidas todos os dias em prol do bem estar social.

E entramos nessa estrada mais uma vez !

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