sábado, 20 de dezembro de 2014

Em Minas, 11 crianças e adolescentes são agredidos dentro de casa todos os dias


Em alguns casos, violência doméstica termina em morte


Há mais de um mês, Davi Renan Monteiro Marins, de dois anos, está internado no Hospital de Pronto-Socorro João 23, em Belo Horizonte. Ele se recupera de agressões cometidas pela própria mãe, uma adolescente de 17 anos, em Rio Piracicaba, na região central de Minas Gerais.  
A criança sofreu queimaduras provocadas por uma chapinha de cabelo e ficou em estado grave no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) por mais de 15 dias. Agora, ele está na ala de pediatria do hospital e, segundo a assessoria da Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais), seu estado de saúde é estável e ele não corre risco de morte.  
Este é um dos 3.408 casos de violência doméstica e familiar contra crianças até 11 anos registrados pela Seds (Secretaria de Estado de Defesa Social) entre janeiro e outubro deste ano em todo o Estado, o que representa aproximadamente 11 casos por dia em Minas.  
Segundo o delegado da Dopcad (Divisão Especializada de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente), Breno Carvalho, este é um número expressivo e que vem aumentando ao longo dos últimos anos.  
— Acredito que o aumento é porque antigamente a subnotificação desse tipo de crime era muito maior e hoje há mais canais para denunciar práticas de violência doméstica. Além disso, a atuação da rede de proteção também é mais eficaz.  
Ainda conforme Breno Carvalho, quando uma crianças ou adolescente sofre uma agressão dentro de casa eles são retiradas do convívio familiar e encaminhados aos cuidados de parentes. Em casos onde isso não é possível, os menores são levados até o Conselho Tutelar e, em situações mais graves podem até ser destituídas do poder familiar, sendo entregues à adoção.   
— Após a denúncia, elas passam a ser acompanhadas por uma rede de proteção para garantir os direitos das crianças e adolescentes porque a violência doméstica é uma conduta muito grave e que pode gerar distúrbios comportamentais e sequelas para toda a vida.  
Mortes
Em alguns casos, a violência doméstica pode até resultar em morte como aconteceu no início do mês de novembro em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Um casal teria agredido uma menina de um ano e sete meses até a morte e a perícia realizada pela Polícia Civil no corpo da criança revelou que ela era vítima de tortura em casa. Ambos foram presos pelo crime e ainda aguardam julgamento.  
Já em julho deste ano, um caso de violência doméstica contra criança chocou o Estado e ganhou repercussão nacional. Marília Cristina Gomes teria denunciado o desaparecimento de seu filho de dois anos, inclusive em entrevista à TV Record, mas a polícia descobriu que, na verdade, ela teria matado Kevin Gomes Sobral e escondido o corpo dentro de um sofá na casa de parentes.  
O crime aconteceu em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, e após investigações, a mulher foi presa e indiciada por homicídio e ocultação de cadáver. Ela confessou o crime e afirmou que teria jogado a criança contra a parede porque o menino estaria mexendo em seu celular.  
Segundo o delegado Breno Carvalho, para evitar situações graves como estas, a Polícia Civil e os órgãos de Defesa Social têm realizado várias campanhas de conscientização para que as pessoas denunciem os casos de violência familiar. Além disso, professores e profissionais de saúde também estão sendo treinados para identificar quando uma criança está sofrendo maus-tratos em casa.  
R7MG

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